Blog

Será desta?

2020 entrou nas nossas vidas como um ano de ambições, projetos e conquistas. No entanto, ainda numa fase precoce desse ano, percebeu-se que não seria assim. Um vírus proveniente da China “invadiu-nos com um estrondo” e inviabilizou quaisquer desejos. Infelizmente, há quem tenha ficado infetado, outros morreram, e muitos foram privados de se aproximar, dialogar, conviver com os seus entes queridos.

Paralelamente a esta crise sanitária, o país e o mundo deparavam-se, e deparam-se, com uma assombrosa crise económica e social. Como uma crise económica vem sempre interligada a uma crise social, e uma vez que um dos seus efeitos foi o desmoronamento do tecido empresarial português – preponderante na economia portuguesa, exportações e emprego -, assistimos, entre outros casos, a um aumento da taxa de desemprego, dos beneficiários de todo o tipo de subsídios.

A par de todas estas problemáticas, os organismos institucionais nacionais e europeus procuraram encontrar mecanismos de resposta económica e social, para além da sanitária.

Irei destacar um organismo europeu que, a meu ver, desempenhou um papel invejável e meritório em todo este processo: a Comissão Europeia. A Comissão apresentou um pacote de €1,8 mil milhões, repartido entre o Quadro Financeiro Plurianual, para sete anos, no valor de €1,074 mil milhões, e um Fundo de Recuperação, com €750 mil milhões. O grande alvo deste último será a recuperação das economias de todos os Estados-membros, sendo, por isso, um apoio conjunto e robusto.

Não sou socialista, mas sim social-democrata. Todavia, não tenho quaisquer problemas, enquanto democrata, em elogiar as capacidades políticas de António Costa. Se há alguém que queira premiar ou distinguir um certo político, tendo em conta o seu taticismo e capacidades políticas, terá que ser António Costa.

Porém, constato que há uma capacidade política que não tem, mas que é determinante no desenvolvimento, crescimento e afirmação do país: a sua via reformista. Cavaco Silva dizia que se há algum traço identitário num social-democrata é a sua via reformista. Contudo, Costa não a tem, embora se tenha identificado como um “moderado social-democrata”. Deste modo, em quase seis anos de governação, era expectável ou admissível que tivesse tido o arrojo e a audácia necessárias para lançar as primeiras reformas estruturais no país – ao nível da educação, saúde, empresas, economia -, destruindo obstáculos que nos estagnam e que, assim, dificultam a nossa progressão. Claro está que estas minhas afirmações podem ser autenticamente irrisórias, se o objetivo for competir com a Roménia ou Bulgária a fim de ver qual dos países apresenta maior PIB.

Vejo com muitos bons olhos uma “luz ao fundo do túnel” relativamente ao dinheiro que virá de Bruxelas, encorajando-nos e capacitando-nos, deste modo, para lançar as primeiras reformas estruturais na era do costismo. Caso não se concretizem ou nem se quer se perspetivem, o melhor é mudar de governação, talvez antes de 2023. Mas existe alternativa? Poderá existir!