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O que é que é fácil, sai caro e gasta milhões?

O orago da minha terra natal, a Sertã, é São Pedro. A Pedro, Jesus disse “ tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mateus 16:19)

E hoje, venho dizer-vos que se o Homem não agir, escusa de esperar milagres.

Andamos desligados. Apáticos, tristes. Não olhamos para os nossos pares quando julgamos alguém que, para parar a sua dor, se resolve matar. Ou que precisa recolher ao seu lar para curar uma Doença Mental. Para acalmar a sua dor.

Sim, é sobre Saúde Mental que vos venho falar. Venho falar com o conhecimento de quem olha para o lado e vê pessoas desamparadas. E também no papel de alguém que ainda o sente na pele.

E há uma questão que vos quero colocar. Já se sentiram à beira de um abismo, sem razão aparente para tal? Já tiveram capacidade de pedir ajuda? Tiveram a bênção de ter alguém que vos amparasse?

Pois bem, todos estamos a falhar. Desde quem vira a cara para não ver, por falta de empatia, até ao Governo que se arroga ao direito de fazer alguém com uma Doença Mental esperar meses e meses por uma consulta na Psiquiatria do Serviço Nacional de Saúde.

O Covid-19 só veio agudizar esta situação pelo isolamento a que nos votou. Eu disse agudizou. Já antes o Serviço Nacional de Saúde não tinha capacidade dar resposta numa especialidade fundamental como a Psiquiatria. E agora, como vai ser?

Já pensámos na Economia? No impacto do Covid-19? Já nos demos contas do aumento de Doenças Mentais ( entre depressões, esgotamentos, e afins) que já se sente?

Falemos de números concretos: a doença mental tem um custo superior a 4% do PIB de Portugal.

E que podemos nós, Agentes Políticos, fazer? Exigir ao Govemo mais profissionais, diminuição concreta das listas de espera. Não estamos a pedir estatística – estamos a pedir que efetivamente se amparem as pessoas.

É que, sem pessoas saudáveis, perde a Economia, perde o Humanismo que nos é exigido. Perdemos todos nós. Porque não acontece só aos outros. E porque não queremos ver o que está colado ao nosso nariz: a faixa etária entre 18 e os 34 anos é a que regista maior prevalência de doença mental – é isto que queremos para o nosso futuro?

 

Venho portanto pedir a todos que ajudem São Pedro a ligar a Terra ao Céu, fazendo da Terra o Céu. Sorrindo, sendo sinceros e transparentes, estendendo a mão a quem precisa muitas vezes apenas de um sorriso, de um dedo de conversa, de alguém para desabafar.

 

A quem, neste momento, luta contra uma Doença Mental, o meu apelo: Não tenham medo de pedir ajuda! Não somos os “maluquinhos” que gente má tenta rotular e afastar do resto da sociedade.

Somos humanos. Somos a pessoa mais importante das nossas vidas. Somos os protagonistas da nossa história… e não estamos sozinhos!

Charada resolvida!