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DGS nos quartos de finais do COVID

A DGS lançou esta semana as normas para a retoma da prática desportiva nos diversos escalões de formação para a próxima temporada desportiva. Contudo houve por parte de diversas associações desportivas bastantes críticas. Em grande parte, passam pela dualidade de critérios do escalão sénior para os diversos escalões de formação, a falta de clareza sobre algumas das medidas de contenção, que de reste tem sido habitual nas diversas medidas não sendo algo exclusivo do desporto, e também sobre quem faz/paga os testes prévios exigidos ao Covid-19.
Exemplificando, algumas das exigências postas pela DGS passam pela obrigatoriedade de um código de conduta/termo de responsabilidade, proteção do material utilizado e a realização de testes até 48 horas antes da competição. Estas medidas numa perspetiva teórica, até se poderiam considerar sensatas, tendo em conta o momento vivido. Contudo quando olhamos em profundidade para a realidade vivida pelos clubes (principalmente dos clubes de pequena dimensão e que se dedicam às modalidades amadoras), pode haver um problema na sua exequibilidade. Olhando de forma mais concreta para uma delas, a realização dos testes, muitos não conseguiram perceber quem os realizará. Se são os clubes ou as federações. Se os custos ficam à responsabilidade destes ou se poderá haver ajuda pública neste sentido. Nesta lógica, a praticabilidade das modalidades pode mesmo estar em causa na medida em que muitos dos clubes desportivos não têm as condições financeiras para os suportar. Não nos podemos esquecer que financeiramente já estão com muitos problemas provocados pelo covid-19. Aliás, honestamente, se a solução passar por aí não acredito que existam muitos clubes que mal ou bem consigam assumir essas despesas em todos os escalões, desde os seniores à formação.
Continuando nesta questão, até que ponto estas medidas podem ou não pôr em causa a prática desportiva? Em Portugal, não nos podemos esquecer que a prática desportiva é um direito constitucional (artigo 79º da Constituição Portuguesa). Direito esse que nos escalões de formação é, desde há muito tempo, assegurado na sua maioria precisamente na esfera privada através dos diversos clubes e associações desportivas. A prática desportiva pública, como o desporto escolar, nesse aspeto está muito mais atrasada e é muito mais reduzida quando comparada com as competições desportivas promovidas pelos primeiros. Ou seja, condicionar os clubes é condicionar a própria competição e a própria prática desportiva em Portugal. Como tal, as medidas têm de ser muito bem pensadas e ponderadas, ouvindo sempre os responsáveis no terreno, responsáveis dos diversos clubes, associações e/ou federações desportivas. E consequentemente todos os benefícios que esta traz aos nossos jovens quer na sua formação física quer nas suas formações pessoal e social.
Por último, mas não menos importante, o facto de o documento não referir nada face ao desporto adaptado. Neste caso a realidade é ainda mais sensível. Pois muitas vezes o desporto tem uma importância muito maior no crescimento e desenvolvimento destes jovens.