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Quando os Extremos se Tocam

Quando os Extremos se Tocam: os Populismos de Esquerda e de Direita.

Quem são os populistas?

Todos os dias os media nos alertam para o fenómeno populismo, dando-lhe na maioria das vezes mais importância do que merece e ajudando assim os populistas a ganharem relevância. Este fenómeno é normalmente associado à extrema-direita devido ao seu caracter anti globalismo e antissistema. No entanto, não é preciso ser de extrema direita para ser populista, e a política portuguesa é um ótimo exemplo disso, mostrando todos os dias que às vezes os maiores inimigos, que se batalham de um extremo ao outro do espetro político, são bastante mais parecidos do que aquilo que nos tentam fazer querer. É deste modo que os populismos de esquerda e de direita se tocam mais do que se opõem.

                Mas o que é o populismo? Melhor quem são os populistas? O populista comum é antissistema, dizendo mal de tudo e de todos que sejam moderados, pelo simples facto de serem os “partidos do poder”. O populista é um ginasta profissional, que faz uma espargata no discurso político para agradar a gregos e a troianos, felizmente os mais informados e cientes da realidade reparam que as contrariedades e hipocrisia no discurso ultrapassam a elasticidade do populista. O populista não tem convicções, vira para o lado que lhe der mais votos, e se um dos seus grandes inimigos “partidos do poder” lhes dá a oportunidade de sentirem o odor do poder, estes correm que nem desalmados deixando promessas e convicções pelo caminho. O populista é sensacionalista, pois segue a máxima de “Não há publicidade má” e os meios de comunicação que gostam imenso de lhes dar importância, não por que seja bom jornalismo, mas porque é o que o povo quer ver. O populista de direita normalmente é uma de duas coisas, ou um burro disfarçado de fascista, ou um fascista disfarçado de burro. No caso da esquerda, tendem para ser de socio anarquistas rudes e brutos na teoria e no discurso, a pacifistas fingidos que vão atrás de qualquer moda para agradar a jovens ingénuos e mal preparados, que caem no discurso dos seus intelectuais.

                Mas mais importante, o que é que terão ambos em comum? No contexto europeu normalmente são eurocéticos aguerridos, que na esquerda rejeitam a “ditadura de Bruxelas” e que na direita prometem devolver a “independência e controlo ao seu país”. Na direita, influenciados pelo fascismo que tanto lhes incendeia as palavras defendem a não existência de racismo, culpam as minorias de todos os problemas que surgem e sonham acordados com uma “Noite das Facas Longas”. Na esquerda é mais ou menos a mesma coisa, mas ao invés de contrariarem o racismo, generalizam-no, sempre que um cidadão de alguma minoria é detido ou acusado de um crime é racismo. Decorrente disso quando se verificam problemas entre a polícia e uma minoria ambos reagem de forma acéfala, mas, no entanto, diferente. Se a polícia for apedrejada ao entrar num bairro problemático onde vivem minorias, o populista de esquerda diz que estes apenas se defendiam da tirania policial. Por sua vez, se a polícia utilizar força abusiva contra minorias, os de direita afirmam que a polícia deve ser valorizada e que essas agressões são a forma correta de manter a ordem e a segurança.

                Passado para uma análise mais específica, olhemos para o populismo em Portugal. Mas antes há que chamar os protagonistas parlamentares pelos nomes, à esquerda temos o Bloco e Joacine Katar Moreira, à direita temos o Chega representado pelo seu deputado André Ventura. Os insultos trocados entre estes de um lado ao outro da bancada são já quase banalidade, mas dar-se importância a essas trivialidades é exatamente o que estes populistas querem. O Bloco adora fazer discurso de oposição a todos e qualquer um, até mesmo ao governo que apoia, passa-se que sendo o Bloco populista essa oposição não passa das palavras, servindo apenas o eleitoralismo que os populistas tanto gostam, chegando a hora de votar o Bloco comporta-se como bom cachorrinho do PS e voto ao lado do seu dono. No que toca a questões sociais e económicas o Bloco adora utilizar o seu “comunismozinho” moderno, criticando todos os empresários, esquecendo-se que são estes quem geram emprego, teimando sempre em subir abruptamente o ordenado mínimo nacional, sem apresentar medidas concretas para sustentar esse aumento a longo prazo. O Bloco caracteriza-se por raramente passar das palavras aos atos, pregando sermões que não cumprirá para tentar a sua sorte com os eleitores. O Bloco ao lado da ex-deputada do Livre defendem sempre as minorias, não porque estas são vítimas ou injustiçadas, mas simplesmente porque são minorias. Para Joacine pouco interessa a competência do individuo, o importante é este fazer parte de uma minoria étnica, religiosa ou sexual, desvalorizando totalmente a meritocracia e impondo a “ditadura da diversidade”. Por sua vez André Ventura faz o mesmo discurso dando-se apenas ao trabalho de o inverter, desligando-se do valor do individuo e importando-se apenas que este seja português ou pelo menos branco, mandado todos os “imigrantes invasores” voltarem para as suas terras.

                Depois de ler isto, pode achar que estas semelhanças são algo estranho ou inesperado, estas devendo-se também à ligação histórica entre extrema esquerda e extrema direita no amor pela purga e o genocídio, mas deve-se essencialmente à falta de carater, oportunismo e hipocrisia que carateriza qualquer populista, independentemente do lado do espetro político em que habita. Por fim, falta deixar um aviso o populista de sucesso é aquele que se faz de defensor ou da Pátria ou dos indefesos, salivando todos os dias para que uma desgraça aconteça, para logo a seguir tirar proveito disso, apropriando-se da imagem de pessoas que nada têm a ver com aquilo que defende e pratica. O populista é um lobo em pele de cordeiro, matreiro e sorrateiro à espera de morder o pescoço aos portugueses nas próximas eleições.