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O bom, o mau e o português

Bom, parece que já faz algum tempo que escrevo para o blog e parece que já lá vai algum tempo desde que a sanidade mental abalou este país. Peço que não me interpretem mal, não venho fazer uma crítica direta ao governo ou à ministra da saúde, nem até mesmo ao ministro da educação pelas barbaridades que vão dizendo; creio que hoje venho falar de um acumular de ideias que me têm passado pela cabeça nos últimos meses e que provêm do que vejo não só nas redes sociais, mas também no dia a dia.

Quando digo que é um acumular de situações, é porque o é mesmo; a meu ver, Portugal, ou melhor, o governo, procedeu bem até a esta pandemia (um pouco tarde e de forma um pouco ignorante, se tivéssemos seguido a linha de pensamento de Graça Freitas por muito mais tempo, Portugal ainda virava cópia do Brasil e iriamos apenas fingir que é só uma gripe e que “Há uma pequeníssima probabilidade de um vírus destes chegar a Portugal”), com as medidas de confinamento e o fecho de fronteiras. Mas! (ora vêm como há sempre um mas?) creio que se o surto ainda não acabou e se continuam a haver novos casos todos os dias, será que podemos cingir pelo que foi feito no passado apenas e deixar de olhar para o presente? “Tenha vergonha!” Sabendo o governo, que Portugal não vai e aliás, já está a não lidar bem com a crise, será que é mesmo altura de haver maioria parlamentar contra o fim do financiamento das touradas? Altura de continuarmos a dar novas injeções para bancos? Isto é muito simples, tenho tido algumas conversas relativamente à crise que já se está a instalar e a conclusão a que se chega sempre, é a mesma: Portugal não tem como aguentar uma nova injeção internacional nem ajuda económica. Se já nem para nós conseguimos controlar as contas, como será quando tivermos cá outra mão a controlar?

Bom e nem passa só por termos cá outra mão a ajudar, mas e com o emprego? Se já agora a situação está bastante precária em relação às oportunidades de emprego (ou de manter estes mesmos) como vai ser quando tivermos que pagar mais uma dívida? Portugal não vai ter dinheiro para pagar mais mão de obra para produzir suficiente, não vai haver salvação estatal para empresas que irão vir por aí abaixo, nem ajudas de custo para pequenos negócios que vão fechar por não aguentar as subidas de preços ou a pouca procura devido à baixa do poder de compra. E agora Portugal? Paga o pobre de novo?

Bom, mas já me estou a perder também pelo divagar pois não vim só criticar a esquerda, descansem. Se querem uma opinião sincera, já pouco consigo acreditar no presidente Rui Rio como bom líder de opinião; nem um pouco. É que cada nova aparição ou tweet que faz, é cada tiro seu melro (mas pela negativa, acreditem). É que quer dizer, quem é que no seu perfeito juízo, vendo que temos um partido de [extrema] direita a ganhar cada vez mais visibilidade e com isso a ganhar mais apoiantes, cujo líder e militantes são mais racistas que se calhar muitos americanos (é ironia amigos, conseguem ser iguais em tudo, aos apoiantes do Trump) se lembra de dizer que Portugal não é racista! Creio que o senhor presidente deve olhar para Portugal através de uns óculos rosa e não consegue ver as “red flags” que existem entre os portugueses. Não posso dizer que exista racismo estrutural, quer dizer, há e muito, mas o pessoal prefere fechar olhos e dizer apenas “Eles é que não se esforçam para ser como nós!” ou “Eles é que se excluem na sociedade.” E creio que não vêm as falácias que estas afirmações acarretam; torna-se muito complicado para pessoas de certas etnias (e sim estou mesmo a referir-me a ciganos) conseguirem empregos e especialmente agora que parece que toda a gente se começa a revelar como um inner racista. “Ah, mas eles não fazem nada e vivem apenas do RSI” ou como já vi “São parasitas da sociedade e a única coisa que sabem fazer é tirar o rendimento a outros e viver à pala dos impostos dos portugueses.” E eu juro por tudo que me pergunto, “Então e a quantidade de pessoas que eu conheço que optam por não arranjar emprego, que gostam de viver às custas dos outros em vez de contribuírem um pouco para a sociedade? Nem que seja local…” é que, colegas eu tenho que ser sincera e digam que estou a ser contra os portugueses a sério (já explico, porque também já me disseram isso após confundirem nacionalidade com raça), mas eu conheço uma quantidade enorme de pessoas de etnia cigana que de facto até trabalham e se sabem inserir na sociedade pois esforçam-se para tal, mas claro que também conheço os outros que de facto vivem desse rendimento e também daqueles negócios obscuros que decidem fazer à parte. Mas agora a sério, também conheço pessoas cristãs e brancas que não fazem nada com a vida a não ser gastar dinheiro aos pais e andarem metidos em negócios pouco legais, mas dos quais essas mesmas pessoas que para mim valem 0, não falam porque olhem… não lhes dá jeito.

Sabem o que é? É muito simples de entender e colocar isto por palavras, as pessoas têm imensa dificuldade em distinguir conceitos básicos como nacionalidade, etnia e raça e como tal, depois dizem baboseiras como “Um português a sério é filho de pais portugueses, são todos brancos e mais nada. Globalização? Isso só serviu é para esses sacaninhas virem para o nosso país dar cabo da nossa cultura enquanto nobre povo. Vieram tirar-nos os empregos e roubar-nos a língua.”. Amigos, na lei nº 37/81, de 3 de outubro, o título 1 que fala sobre a atribuição, aquisição e perda de nacionalidade, das alíneas e) à g), fala-se da atribuição de nacionalidade portuguesa a filhos de pais estrangeiros, mas que nasceram cá. Se a lei é clara nisso, porque é que temos nós que andar a inventar que como é uma pessoa negra ou chinesa, já não pode ser portuguesa? Cor não é sinónimo de nacionalidade; nem o facto de estrangeiros virem para cá é sinónimo de que vamos perder a nossa essência.

Portugal é um país acolhedor e que até gosta dos estrangeiros, mas os portugueses são outra história. E esta luta não é de esquerda ou de direita, é de todos nós. Por uma vez na vida sejam conscientes com os comentários que fazem, e como saem à rua despreocupados com as consequências. Esforcem-se em vez de ficarem à sobra da bananeira.