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De revolucionário a latifundiário

A história que vos vou contar pode parecer alguma distopia amadora, ou algo saído de um livro de ficção, no entanto trata-se da mais pura realidade, e essa realidade passa-se aqui mesmo, em Portugal.

Para melhor se compreender como tudo começou, vou levar-vos de volta ao século XIX, quando Karl Marx teorizou aquilo a que hoje chamamos de comunismo, ou mais especificamente o “socialismo científico”, termo utilizado por Engels para definir o ideário Marxista. Nessa teoria, Marx e Engels, primeiro no “Manifesto Comunista” e posteriormente no livro “Das Kapital” (O Capital), defendem um conjunto de transformações a nível político, económico e social para se atingir o comunismo. Estes advogavam uma sociedade sem classes, atingida através do triunfo da revolução proletária sobre a burguesia, na chamada luta de classes. Mas, para não estar a dar uma aula sobre a teoria marxista, aponto já o facto que considero relevante para esta narrativa, a coletivização dos meios de produção, através da abolição da propriedade privada.

Este conceito foi posto em prática em 1928, na URSS de Stalin, durante o 1º Plano Quinquenal. Esta coletivização das terras decorreu da expropriação das terras dos “kulaks”, os pequenos e médios proprietários agrícolas russos, que viram as suas terras arrancadas das suas mãos, na maioria dos casos de forma violenta e sempre sem nenhuma compensação de qualquer tipo. Agora questiono-me… expropriação, onde é que já terei ouvido essa palavra? Não foi só do outro lado da Europa, foi aqui mesmo, no extremo Ocidental do Continente Europeu.

Deixando para trás Moscovo, e o ano de 1928, passamos para Lisboa, no dia 25 de abril de 1974. Neste dia histórico, o MFA libertava o povo português de 48 anos de ditadura. Finalmente, podíamos gritar Liberdade, mas dentre esses gritos havia quem já planeasse utilizar o furor revolucionário como uma oportunidade para subir ao poder e para pôr em prática os seus planos mascarados de um novo caminho brilhante para Portugal.

Ao 25 de abril seguiu-se um período conturbado da nossa História. Com o PREC (Processo Revolucionário em Curso) surgiu a Reforma Agrária, durante a qual muitas propriedades no sul do país foram ocupadas por comissões de trabalhadores. No entanto, este facto não serviu apenas para entregar “a terra a quem a trabalha”, como defendia o PCP, serviu também para este mesmo adquirir vastas propriedades, que ainda hoje se encontram sobre a sua alçada. No entanto, não será este o problema visto que apenas algumas foram apropriadas pelo próprio partido, sendo que a grande maioria foram ofertas de militantes e das comissões de trabalhadores, muitas delas controladas por membros do PCP.

A real questão encontra-se na ironia, impossível de ignorar, que o PCP pratica. Um Partido dito Comunista, de carater marxista-leninista, assim sendo defensor durante alguns anos do fim da propriedade privada e eterno critico do grande latifúndio. Não será de questionar que o património imobiliário do PCP seja o maior, em relação a todos os outros partidos? De modo a elucidar melhor esta questão o PCP possui “mais de 60 terrenos e 200 apartamentos ou prédios”, citando um artigo da TSF, enquanto “PS e PSD têm, cada um, pouco mais de 70 edifícios ou apartamentos declarados. O CDS-PP fica-se pelos dez.”, citando ainda o mesmo artigo. Além do mais, a receita proveniente deste latifúndio, só pode ser vista como o mais puro capitalismo, citando o Expresso, “Só em 2012, o montante total das receitas arrecadadas com a venda de património e rendas cobradas a inquilinos fez entrar nos cofres comunistas mais de €600 mil.” e  “com base nas contas entregues pelo partido junto do Tribunal Constitucional, que, em 2012 (o ano com os dados oficiais mais recentes) tiveram €201.867,81 de mais-valias pela alienação de património, a que juntaram €414.158,15 de receitas prediais, isto é, de rendas cobradas como proprietários.”.

A elação que tiro de toda a investigação que fiz é bastante simples, os defensores do povo e das classes trabalhadores, advogados da luta de classes e inimigos do capitalismo e do grande latifúndio, cometeram ações que nos fazem questionar a sua seriedade. De proletário revolucionário o PCP passou a capitalista latifundiário. Existe uma palavra para descrever este tipo de atitude no dicionário da Língua Portuguesa, e essa palavra é HIPOCRISIA. Já dizia o ditado popular “Faz o que eu digo, não faças o que eu faço” e parece-me que a majestosa hipocrisia dos PCP poderia começar a utilizar esta frase como slogan, visto que o da “Política Patriótica de Esquerda” é apenas um embuste para enganar o eleitorado.