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Silêncio, o teletrabalho vai começar

Não vale a pena estarmos com rodeios ou meias-verdades. Nada nem ninguém estava minimamente preparado para esta pandemia. Nenhum estado ou país tinha o mínimo de noção que como mitigar os efeitos que a Covid-19 impôs nas nossas vidas. O exemplo mais claro foi a falta de material médico (sim Sr. Primeiro-Ministro, faltou muita coisa nos hospitais portugueses), necessário para proteger doentes e profissionais de saúde. Mas a nossa impreparação não se resume apenas ao efeitos directos do novo Coronavírus na saúde da população. Todo o nosso estilo de vida e rotinas foram impactadas pela atuação deste ser microscópico. Do confinamento forçado até à ausência de qualquer actividade lúdica, passando pelo afastamento social, tudo mudou neste primeiro semestre do ano. E mudou mesmo aquilo que a maior parte pensaria impossível mudar: a nossa relação com a prática laboral.

 

O teletrabalho é hoje a nossa realidade. Foi graças a esta ferramenta que conseguimos manter, dentro do possível, a nossa actividade empregadora e contribuir para a relativa normalidade laboral do país. Mas o mais importante que devemos reter desta fase não poderá ser os recursos limitados e as dificuldades que nos são impostas pelo trabalho remoto, mas sim as oportunidades incríveis que esta prática pode incutir no nosso país e sociedade. Se é um facto que as dificuldades associadas ao teletrabalho são ainda tremendas, não é menos verdade que pode muito ser o teletrabalho a grande aposta dos nossos líderes no combate à desertificação do Interior e da emigração jovem qualificada. 

 

A JSD Distrital de Castelo Branco defende, desde muito antes da pandemia, que é no teletrabalho que reside uma tremenda ferramenta para permitir a fixação de jovens nas zonas mais desertificadas de Portugal. Não foi necessário o período de confinamento forçado para percebermos que se um jovem, em idade de constituir família e património, não ser vir forçado a abandonar as raízes no Interior de Portugal por questões profissionais, então seguramente teremos mais uma família a viver no nosso Interior que contribuirá para o desenvolvimento económico desta parte do território português. Será assim tão difícil imaginarmos um Mundo em que a grande maioria das tarefas criativas, incluindo reuniões de equipas, se façam remotamente? Será assim tão difícil imaginar uma sociedade em que as empresas e serviços precisarão de espaços físicos mais pequenos, já que os seus empregados terão apenas uma necessidade reduzida de aí se deslocarem fisicamente? O vírus mostrou a muitos que não é assim tão difícil. A nós, Juventude Social-Democrata, apenas veio confirmar o que já sabíamos há muito tempo.

 

Não tenhamos, no entanto, as maiores ilusões. Assim que a “anterior” normalidade for sendo retomada, cada vez mais entidades patronais obrigarão os seus colaboradores a regressarem diariamente aos seus postos de trabalho. Mas ficará a certeza que esta não terá de ser a única realidade, haverá sectores (nomeadamente o tecnológico) que irá despoletar e aceder aos benefícios de uma maior flexibilidade quanto à presença física no local de trabalho. Urge que, quando esse momento chegar, chegamos capazes de nos unirmos, num verdadeiro debate inter-partidário pela defesa da livre escolha pelo trabalho remoto para todos aqueles que o desejam e cuja actividade profissional o permita. A Universidade de Cambridge anunciou que até ao Verão de 2021 apenas irá lecionar através da Internet. Os trabalhadores do Twitter já sabem que, mesmo após a pandemia, serão livres de continuar a trabalhar a partir de casa pelos períodos de tempo que entenderem. Será assim tão difícil para nós, portugueses, implementar esta realidade à nossa devida escala? Será assim tão difícil imaginarmos contribuir para esta verdadeira revolução laboral 4.0?