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Entrevista de Hugo Lopes ao Fórum Covilhã

Foi reeleito para o terceiro mandato na presidência da JSD. Quais os objetivos e linhas de ação que define como prioritários?

O primeiro objetivo está cumprido: agregar a região. A prova disso são os resultados que obtivemos em todas as eleições distritais a que nos candidatámos. E já foram três, sempre com listas únicas e programas baseados na responsabilidade, autonomia e consequência das nossas ações. Quando chamada ao local próprio para escrutinar esse trabalho, a JSD, pelo voto secreto, disse indubitavelmente que estamos no rumo certo. 

Agora é tempo de liderar, ambicionar mobilizar um futuro melhor. Dar mais voz às bases e manter a JSD como a maior e mais dinâmica organização de juventude da Beira Baixa são os primeiros passos para implementarmos o nosso projeto político “Agora, o Interior!” e sermos o motor das próximas eleições, para as quais o Congresso aprovou o Plano Estratégico “Autarquias XXI – Uma Nova Geração”. Para levar as nossas ideias à Assembleia da República, já solicitámos uma reunião com a Deputada do PSD para lhe entregarmos as nossas propostas.

Ao nível interno, começaremos com um “First Call”, em maio: um momento de convívio entre os membros dos órgãos para estreitar relações e um Conselho Distrital que pretende convocar uns “Estados Gerais” que reflitam e procurem refundar a JSD através de moções orais ou escritas. Agora que temos órgãos eleitos em 10 dos 11 concelhos, é tempo de reativar a JSD em Ródão, a par da elaboração de um Plano de Intervenção Societal, para revigorar a participação cívica, e um Plano de Capacitação Interna das Concelhias, para descentralizar recursos e iniciativas para quem está mais próximo dos jovens. Queremos também lançar um “Open Call” para os Gabinetes de Apoio à Comissão Política Distrital, num mandato que será dividido em cinco partes, em vista a fomentar a participação generalizada e a apresentação de projetos inovadores por parte dos militantes de base.

No seu discurso, após o ato eleitoral, abordou as próximas eleições autárquicas e considerou que “o PSD pode reforçar a votação em vários concelhos”. Como pode a JSD ajudar o partido neste sentido?

Por um lado, a história do Poder Local em Portugal não se escreve sem referência ao PSD, tal a sua importância na evolução e na autonomia autárquica. Por outro, o desenvolvimento municipal passou a fase das infraestruturas e de equipamento do território para uma fase de desenvolvimento sustentável, centrada nas pessoas, e de progresso tecnológico, baseado na partilha de dados e na economia digital – a que maior pode potenciar os municípios do Interior, pela menor necessidade de deslocarem meios físicos. Ora, são os jovens que melhor conhecem esta realidade. A geração mais qualificada de sempre, que nasceu com a tecnologia, que está na linha da frente da automação, mas que, ao mesmo tempo, é a primeira geração a ter piores condições de vida que a anterior. 

O papel dos jovens é essencial na construção de novos caminhos precisamente por isso: o conhecimento técnico e a ação responsável para garantir um simultâneo progresso e sustentabilidade, com uma visão global e contemporânea. Esta Geração 360º quer participar ativamente nas escolhas, nos projetos, na construção dos programas e também no dia-a-dia da governação local. A JSD deverá estar disponível para dar o seu contributo numa perspetiva jovem, tendo em conta a solidariedade intergeracional de decisões, principalmente naquelas que condicionem a sociedade a médio-longo prazo. Nos Concelhos onde a JSD está ativa, é desejável que os seus órgãos elaborarem e apresentem um programa autónomo, que complete e vá além das propostas do PSD, por forma a demonstrar o seu contributo para o desenvolvimento das comunidades. 

Afirmou que quer jovens vereadores eleitos nas listas do PSD, também com o objetivo de mudar os atores políticos. Vai ser uma imposição da JSD ocupar alguns dos primeiros lugares nas listas para as próximas eleições autárquicas?

Obviamente que não. Nem temos como objetivo que sejam militantes a integrar as listas. Poderão ser jovens independentes ou simpatizantes, desde que sejam os melhores, pugnem pela competência, idoneidade, credibilidade e identificação com os princípios da social democracia. Mas que existam esses jovens, porque, hoje, apenas 2 dos 63 Vereadores do distrito têm menos de 30 anos. Enquanto na sociedade esta geração representa 33% da população, nos executivos municipais do distrito representa apenas 3%. E, pior, nenhum foi eleito pelo PSD. Por conseguinte, assumimos este objetivo de forma natural, sem buscar o “politicamente correto” e sem propósitos obscenos, com o fim último de dar voz às novas gerações, para que estas não sejam eternamente adiadas para um “futuro” que tarda em aparecer.

Se o partido assegurar, como defendemos, uma representação microcósmica da sociedade, incluindo toda a diversidade étnica, de género, cultural ou religiosa, por que não a etária? De 2001 a 2017, o PSD teve sempre – pelo menos – um Vereador jovem eleito no Fundão. De 2005 a 2013, o mesmo em Vila de Rei. Desses, um é, agora, Presidente de Câmara, sendo que outros dois são Vice-Presidentes. E os seus resultados estão à vista. Os jovens podem ambicionar mudar o mundo, mas nunca o conseguirão se não estiverem disponíveis para começar a mudar o seu bairro, a sua freguesia, o seu concelho.

Quer fazer uma revisão aos estatutos da JSD. Quais os motivos desta revisão estatutária e que principais alterações pretende concretizar?

Os atuais normativos estão propositadamente dúbios, pouco claros e contraditórios. Ademais, não estão adaptados à era digital e aos novos modelos de participação. Neste sentido, pretendemos modernizar a JSD com uma revolução assente em três pilares: clarificar, simplificar e desburocratizar. Queremos a entrega de listas numa plataforma eletrónica que permita também consultar os cadernos eleitorais e as atas dos órgãos. Procuraremos limitando os suplentes para 1/3 dos efetivos em órgãos executivos, bem como impossibilitar o exercício simultâneo de funções de Presidente, Secretário-Geral ou Presidente da Mesa Nacional com outros cargos, quer pela dedicação que exigem, quer pelo acesso a dados confidenciais. Não menos importante é a isenção de quotas para jovens e a transição automática de militantes menores para maiores, que tem transformado os dirigentes da JSD numa espécie de funcionários do partido.

Defendemos, igualmente, a eliminação da Comissão Eleitoral Independente, pelo vazio de funções e conflito de competências; a eleição dos membros dos Conselhos Distritais em Congresso; a eleição de todas as Concelhias na mesma altura, em todo o território nacional, bem como nas Distritais, libertando a JSD para realizar trabalho real em vez de uma gestão eleitoral permanente; a perda de mandato das Mesas que não convoquem os plenários nos prazos previstos; a penalização dos órgãos que não cumpram as moções aprovadas; e ainda a reforma do modelo de Congresso Nacional e a revisão da fórmula de cálculo do seu rateio, passando este a ter em conta, não só o total de militantes, mas o rácio de militantes/jovens em cada localidade.

A JSD realizou um referendo a nível interno sobre a legalização das drogas leves. Qual a sua posição e da JSD Distrital Castelo Branco sobre este tema?

Pessoalmente, sou tendencialmente a favor. Formalmente, a Distrital não tem posição. Materialmente, o “não” ganhou o referendo no distrito por um voto. Politicamente, há prioridades mais importantes a discutir para o país.

Na região há obras eternamente adiadas e problemas como a desertificação que tardam em ser resolvidos. Enquanto dirigente da JSD Distrital Castelo Branco quais as políticas que defende para solucionar estes problemas?

Posso falar da nossa Moção Global, onde defendemos a suspensão das portagens, a conclusão do IC6 e IC31, a melhoria da rede ferroviária e a sua extensão a norte, a revisão da fórmula de financiamento do ensino superior e a fusão da UBI, IPCB e IPG, o fim da precariedade científica, a revolução 4.0, o ensino computacional e especializado para a região, a criação de uma entidade para apoio a start-ups e PMEs na área tecnológica. Ou de uma governação transparente e com dados abertos, um mega-campus empresarial num Interior servido por um novo aeroporto que só é discutido entre Litoral, um estatuto fiscal para os territórios de baixa densidade, uma nova edição do programa de reflorestação jovem, encerramento da Central Nuclear de Almaraz, economia verde e transição energética, criação da ULS da Beira Interior sem prejudicar os Centros de Saúde, revogação da concessão do turismo de altitude na Serra da Estrela, promoção de uma marca agropecuária ou a extensão do regadio a sul da Gardunha.

Contudo, mais importante é como se pressiona os decisores a executá-lo. E, nesse âmbito, é mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa. Portanto, acredito ser indispensável a elaboração de uma “Carta de Intenções” conjunta das várias juventudes partidárias distritais. As necessidades da nossa terra são mais importantes que os interesses políticos, pelo que estamos dispostos a entregar essa Carta aos grupos parlamentares, governo e líderes dos partidos.

O Governo lançou um programa de apoio para quem vier trabalhar pra o interior, com a criação de incentivos monetários. Que avaliação faz da medida?

O programa tem o seu mérito. Todavia, não só não bastam incentivos fiscais, como estes têm que ser pensados também para quem cá vive. Não para quem queira fazer um “Erasmus-Interior”. Se se valorizarem intrinsecamente as condições da região, se houver emprego, acessibilidade, bons cuidados de saúde e boas condições de vida, as pessoas naturalmente estarão mais propensas a vir para cá.

E como avalia os últimos descontos anunciados pelo Governo nas ex-scut’s que vão entrar em vigor no dia 1 de julho?

A pergunta é antes: quantos vão beneficiar com os supostos “descontos”? Em primeiro lugar, um trabalhador deslocado só terá desconto ao oitavo dia. Como, em média, o mês tem 22 dias úteis, num terço do mês não sofre qualquer tipo de desconto. Em segundo, prejudica as empresas, porque as transportadoras só utilizam a A23 numa base semanal ou quinzenal. Em terceiro, não beneficia minimamente o turismo, que é setor que mais exporta e cria riqueza, em virtudes das viagens únicas de quem nos visita. Em quarto, se tinham 130 milhões para reduzir os passes sociais em Lisboa e Porto, podiam despender bem menos para suspender a totalidade das portagens para residentes e empresas e para um cheque de 10 viagens gratuitas a não-residentes.

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