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O Futuro diz Presente

Portugal é um dos países europeus com maior precariedade laboral e onde se trabalha mais horas por semana.

Apesar disto, continuamos a ser também um dos Estados membros da União Europeia com menor índice de produtividade. É um indício claro de que persistem entre nós graves deficiências ao nível da organização e planeamento do trabalho.

Isto preocupa-me.

Segundo dados da OCDE, Portugal ocupa a 12.ª posição na UE em termos de peso dos impostos nos rendimentos, à frente de países como a Espanha ou a Grécia. No nosso país, cerca de metade da população não paga IRS, enquanto 10% dos cidadãos contribuem para cerca de três quartos da totalidade da carga fiscal. E temos uma taxa de IRC, em termos agregados (incluindo a derrama estadual e a derrama municipal), muito superior à média existente nos países da UE: 31,5% cá, contra 23,9% no espaço comunitário.

O nosso sector privado sustenta, através de uma carga fiscal quase insuportável, boa parte das despesas do Estado. Seria naturalmente muito mais fácil aumentar salários se a pressão tributária fosse menor.

Isto preocupa-me. Porque estamos a afastar-nos dos padrões médios europeus, em vez de aproximar-nos deles.

Portugal continua a ser o terceiro país da UE com maior dívida das administrações públicas em percentagem do PIB, logo após Grécia e Itália. Esta dívida cifra-se em 121,5% do PIB – em claro contraste com a média europeia, situada em 80,2%. Será neste momento a 11.ª mais elevada do mundo.

Baixámos no último ano do 33.º para o 34.º posto no ranking da competitividade global. Já fomos ultrapassados pela República Checa;

Estamos também acima da média europeia no número de emissões de gases com efeitos de estufa.

Tudo isto me deixa muito preocupado.

Porque não é este o país que sonhei para os meus filhos.

Porque não é este o país que merecemos.

Após duas décadas de crescimento anémico, todos convergimos nesta meta: há que pôr Portugal nas rotas do desenvolvimento económico. O diálogo entre os agentes económicos e os diversos segmentos sociais é fundamental para que tal desígnio se concretize.

Há que agilizar procedimentos para reduzir custos: só assim conseguiremos atrair capital qualificado. É urgente uma estratégia nacional de captação de investimento estrangeiro.

Portugal tem tudo a ganhar em apostar fora das áreas tradicionais, acolhendo uma plataforma de empresas situadas na vanguarda da era digital. Devemos assumir sem complexos a nossa vocação para o empreendedorismo tecnológico, à semelhança do que sucedeu há umas décadas na Califórnia, com o sucesso que sabemos.

Há que prosseguir e acentuar a simplificação do processo legislativo ao serviço da dinamização empresarial e reforçar os avanços nas aplicações informáticas à investigação tecnológica e científica.

Deve haver prioridade absoluta às reformas estruturais. No mercado laboral, na formação de quadros, na fiscalidade, na justiça e no combate à corrupção.

 

É um pouco por tudo isto que me candidato à presidência do PSD. Para trazer estas questões a debate – são as que mais preocupam os portugueses, são as que vale mesmo a pena discutir para darmos passos em frente em vez de nos movimentarmos muito, dando a ilusão de mudança, sem afinal sairmos do mesmo lugar.

Quero um PSD que vá ao encontro das aspirações dos cidadãos. Um PSD que sonhe mais alto, que seja capaz de ver mais longe, que não tenha receio dos desafios do futuro.

Ambiciono um PSD que esteja na primeira linha dos combates que vale a pena travar.

Pela valorização do ambiente e dos verdadeiros valores ecológicos, em que fomos precursores.

Pelo reencontro do partido com o seu eleitorado histórico, parte do qual se foi afastando das nossas propostas – refiro-me aos profissionais liberais, aos empreendedores, aos trabalhadores por conta de outrem ou aposentados.

Pelo reforço da nossa capacidade de atrair e mobilizar os jovens, muitos dos quais estão hoje profundamente divorciados da militância política, apesar de pertencerem à geração de portugueses mais bem preparada de sempre em termos académicos.

Por uma verdadeira mobilização nacional com vista ao desenvolvimento e repovoamento do interior, que tem permanecido à margem das prioridades políticas. Precisamos de atrair empresas, de captar capitais, de fixar jovens e de aplicar inadiáveis medidas de fomento da natalidade nos concelhos mais distantes do litoral.

Quero também um PSD que saiba cumprir na íntegra a sua missão patriótica de fiscalizar o Governo, correspondendo ao mandato que nos foi conferido pelos eleitores.

Os portugueses esperam do principal partido da oposição que exerça sem hesitações esta importante função no nosso quadro democrático. Devemos reforçar a vigilância crítica da governação socialista, fundamentada em princípios de que não podemos abdicar ao sabor das circunstâncias.

Recuso em absoluto um PSD virado para o combate interno, procurando silenciar as vozes críticas e excluir aqueles que pensam de maneira diferente.

Quero ver o nosso partido envolvido na luta frontal e leal contra os nossos adversários políticos. Porque não tenhamos ilusões: há quem aposte em ver o PSD reduzido à expressão mínima, cada vez mais longe do regresso ao poder.

Estes adversários estão fora, não estão dentro. Devemos mobilizar-nos contra eles, não contra os nossos companheiros de partido.

 

A tarefa que me proponho é liderar uma oposição de confiança capaz de conduzir o PSD  ao Governo de Portugal. Sem estados de alma nem permanentes crises de identidade.

Procurando sempre aquilo que mais nos une em vez de andar em permanente busca daquilo que possa separar-nos.

Porque sei que, estando unidos, seremos sempre mais fortes.

E não duvido um só instante de que Portugal precisa de um PSD mais sólido, mais robusto, mais confiante e rejuvenescido.

Um PSD em que o Futuro está Presente.

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