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A verdade crítica

Chegamos ao fim de mais um ano, ao fim de mais um conjunto de meses de trabalho árduo, de emoções diversas, de inúmeras atividades e acima de tudo, de muita ação política. Não quero com este texto fazer mais um ano em revista como fiz com o meu texto da JSD de Belmonte, mas quero sim poder falar de algumas coisas que fui notando ao longo deste ano de 2019, algumas coisas que já não é a primeira vez que constato aqui no blog e que sei que se calhar alguns de vós, menos informados como eu em relação a certos assuntos, também se questionaram.

Eu estou a estudar Ciência Política e Relações Internacionais, neste momento a envergar pelo ramo das Relações Internacionais, mas nos 2 primeiros anos de curso estudei e falei imenso sobre política (numa cadeira, desde os tempos remotos dos nossos amigos filósofos gregos, até aos dias de hoje com analistas políticos e politólogos dos mais variados países), estudei os vários tipos de manifestação da mesma, mas em particular, falei da essência da mesma. Falei no porquê, falei no como e no quê, e em muitas das suas facetas e intrigas. Em suma, fiz quase como que um discorrer intenso sobre a etimologia da palavra política e das suas mais complexas ideias e principais manifestações.

Mas porquê falar disto? Não, não o faço para poder mostrar-me perante vós; nem o faço para poder dizer “Eu estudo política na faculdade!!!”. Faço-o porque após aprender estes temas, comecei a ter um maior campo de visão sobre a nossa política portuguesa, sobre montes daquelas palavras complexas que os ministros gostam tanto de usar e sobre as peripécias do meu partido (tive vontade de dizer do nosso partido, mas lembrei-me logo de Putin e do comunismo). Comecei a dar-me conta que nem tudo o que aparece nas notícias é o que se passa e fala de facto dentro destas organizações; que nem tudo o que quem detém o poder faz, é o mais correto mas muitas vezes é o mais preciso e necessário perante as dificuldades que afrontam o país; que nem tudo o que o povo fala de boca cheia e protesta contra, é o que está errado ou o mais adequado tendo em conta a estrutura do nosso sistema político.

O que eu quero dizer com estes parágrafos é que muitas vezes temos uma ideia muito oposta àquilo que é a realidade social e política deste país; deixamo-nos muita vez levar pelos dizeres dos média e pelas publicações mais partilhadas no Facebook e noutras redes sociais; deixamo-nos levar pela raiva imediata que se apresenta sobre nós quando alguém inicia um rumor e que nós até acreditamos ser verdade. Isto é, deixamo-nos levar pela pura ignorância e somos incapazes de remar contra corrente e perceber que antes de julgarmos temos de saber pesquisar e saber diferenciar a verdade da mentira, temos de saber ser críticos. Um exemplo muito prático e extremamente recente é o que sucedeu após o ministro Mário Centeno falar sobre o orçamento de Estado para 2020; assim que se ouviu falar em “(…) aumento da carga fiscal (…)” começaram logo as vozes mais destemidas a insinuar todo o tipo de exclamações sobre este ultraje e a afirmarem coisas que se calhar apenas foram deduzidas através das palavras do ministro durante o seu discurso. Ao invés de seguir a corrente e abrir as várias notícias que circularam pela internet sobre este discurso e este importante projeto, decidi esperar pelo esclarecimento do mesmo num dos canais de televisão, enquanto lhe eram feitas perguntas sobre o orçamento e as políticas económicas para este ano vindouro.

Em suma, o que eu quero dizer com este texto tão virado para a crítica sábia e para a defesa muita vez de quem faz política, é que para 2020 a promessa que deve ser feita por todos os portugueses (sendo estes interessados ou completamente alheios a política) é o de apurarem o seu sentido crítico relativamente às fontes de onde provêm certas e determinadas notícias; apurarem o que entendem por determinado assunto, aprofundarem o seu conhecimento e só depois criticar o que se passa. Tal como é feito nas eleições, não se deixem levar apenas pelos discursos eleitorais, pelas caras nos cartazes e apenas pelas promessas imensas que são feitas; aprendam a dizer “não” também sempre que necessário e a saberem estudar os cadernos eleitorais e a estudar o que cada um quer fazer após as eleições serem ganhas.

Feliz 2020 e que esse sentido crítico se apure como o nosso gosto pelas filhoses e festas com família!

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