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Direitos que ardem sem se ver

Ora ora que já estamos em agosto e Portugal parece que em vez de progredir com os meses do ano, vai regredindo cada vez mais e mais… Enfim, fazer o quê se nem os meios de comunicação ajudam nesta situação? Será que não passa tudo de uma conspiração em que por um lado temos ministros e políticos portugueses a dizer que em Portugal nunca se esteve tão bem (presumo que sejam todos da camisola vermelha, aquela que o PM usa de acordo com a sua ideologia partidária), outros a dizer que estamos numa situação inadmissível, uns a dizer que preferem não tecer comentários (vamos lá ver senhor Marcelo, não nos bastou já os maus exemplos de abstenção de Rui Rio?) e depois temos jornalistas a tecerem comentários em pleno direto de um jornal. Acho que era no antigo programa de sétimo ano, aquele pelo qual as minhas aulas se basearam na altura, que se aprendia que “notícias devem ser sempre objetivas, o jornalista não deve em momento algum demonstrar a sua opinião própria”, mas se calhar já sou eu que estou a tecer comentários a mais…

Bom, não vim fazer mais um mero texto de opinião sobre a nossa “fantástica” (não de bom ao máximo mas sim de fantasias) situação atual mas sim para falar dos nossos direitos enquanto cidadãos portugueses, cidadãos que trabalham para um bem comum, cidadãos que apenas saem de casa para poderem resolver problemas que lhes são apresentados (se calhar a muitos, como simples consequências dos seus atos, mas a outros se calhar, como uma simples sucessão de eventos) e de cidadãos que estão e têm os seus plenos direitos, simplesmente por serem cidadãos.

Bom, vamos começar pelos nossos companheiros camionistas. Que raio de ideia é esta de exercerem o seu pleno direito de greve, quando os portugueses (que passam mais de ¼ do ano com o depósito quase na reserva) se lembram todos de atestar o depósito???? (Exagerei no uso de pontuação para vocês compreenderem que é ironia mesmo) É que funcionários públicos podem fazer greve, enfermeiros, médicos (não incluir professores neste conjunto, já sabem que professores são como as mulheres eram para Platão, ou seja, estão literalmente no fundo da pirâmide de prioridades e importâncias) mas estes condutores que colocam a sua vida em risco para abastecer postos ao longo de todo o país, já não podem. Então e o tuga comum? O tuga comum não pode ser esquecido, os motoristas já não podem fazer greve e lutar pelos seus direitos e por rendimentos que condigam com o seu esforço, porque o tuga comum fica muito ofendido e em situação de desespero total!!!

Por um lado temos estes direitos a arderem por entre as chamas dos incêndios do verão e por outro temos aquele pessoal que tem que se levantar às 4 da manhã se for preciso para ir ao Serviço de Estrangeiro e Fronteiras ou à Loja do cidadão, porque corre o risco de ter que ficar se calhar 1 dia inteiro à fome e às condições climatéricas para poder ser atendido… Onde, é que já se viu, num país desenvolvido como o nosso, isto acontecer? Só em Portugal aposto, o país em que os políticos dizem uma coisa, e nós pensamos outra. Por acaso hoje (21 de agosto de 2019) passou uma notícia que falava sobre o ato fraudulento de venderem lugares nestas filas por 500 e 600 euros. Sabem o que vos digo? É que para além de protestante no que lhe convém, o tuga também sabe aproveitar bem as oportunidades (quando quer) quando lhas apresentam; ou melhor, é esperto e aproveita o que lhe apetece.

Em vez de andarmos a dizer que é a falta de uns que faz o mal de outros, a política neste país devia é ser reformulada e em vez de se trabalhar um por uns e outros por outras minorias, devíamos sim esforçar-nos por todos e ajudar uns aos outros.

Mas vá, esta tuga se calhar também gosta de protestar mais do que devia.

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