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Anarquismo solarengo, a política do cada um por si

Lamento dizer que cada vez mais nos encontramos num país em que o que importa é o interesse individual e não o interesse coletivo. Podemos começar pelos casos mais locais, como questões de saúde em que numa terra em que a maioria da população já tem alguma idade e requer certos cuidados, o centro de saúde só se encontra aberto durante o período da manhã e só 2 dias da semana é que é possível atender sem consulta. Ah porque quando é precisa consulta, o tempo de espera ainda é longo, afinal, só temos um médico e um enfermeiro a trabalhar cá. Mas acredito plenamente que deve ser a única possibilidade existente, afinal, somos uma simples terra qualquer no meio do interior. Podemos também falar do Hospital em que não existem médicos aptos a elaborar relatórios médicos referentes a certos exames necessários, em que a direção em vez de se calhar procurar quem queira o lugar, se limita a comprar packs de relatórios a empresas, mas peço desculpa, se calhar falo de boca demasiado cheia porque deveria apenas ficar feliz por ainda ter um serviço hospitalar a meia hora de casa (se tanto) e por ter direito a consultas quase de 6 em 6 meses, porque “oremos para que o relatório chegue entretanto”. Podemos falar de tanta coisa, mas de que estou eu a queixar-me? Eu vivo no interior e devia é estar contente com as possibilidades que me são oferecidas.

Lamento ter que falar de assuntos tão maçadores como este, ou tão maçadores como mais uma vez a história dos professores. Claro que o senhor Primeiro Ministro e a sua equipa se estão a encarregar de tratar deste espetáculo todo em que os animais do circo são os professores e os domadores, que acabam por lutar entre si, são os políticos que estão à frente do nosso país e os representantes sindicais. Ouvir de um lado que “Não têm dinheiro.” Ou “Seria uma despesa incalculável, na casa dos biliões.”, mas ver por outro que existe dinheiro para injetar em bancos. Mas temos apenas que ouvir e calar, afinal os senhores deputados (seja de esquerda ou de direita, e não me venham com historietas que o PSD está livre de tal acusação, porque afinal, acabam por se encontrar todos no mesmo local e a luta é visível) estão a tratar de tudo de forma a procurar o melhor para a população.

Não! Não e NÃO! BASTA! Basta destas políticas feitas com base no umbigo superior, com base na maximização de interesses que de comum apenas têm o lugar superior na hierarquia. Basta de pensar apenas no litoral ou de pensar apenas que tal classe social é que importa. Cada vez mais vivemos num estado de “anarquia regulada” em que o que funciona é a política de cada um por si. Cada vez mais em vez de unirem a nação, os partidos dividem-na e lutam apenas pelos interesses individuais. Já nem partidos de representação são, são apenas partidos que ditam as vontades dos seus superiores hierárquicos. Já nem o período de campanha para as eleições serve de alguma coisa senão o fazer “ouvidos mocos” a quem tem queixas verdadeiras e usar “ouvidos de ouvir” a quem vai conseguir ganhar mais se ganhar a eleição.

Portugal tem que acordar, e não é ficando sentado no sofá, a ver as noticias sobre as desgraças que nos afrontam, que se vai conseguir algum dia mudar alguma coisa. Sim meus caros leitores, refiro-me mesmo ao nível absurdo de abstenção. Seja qual for o tipo de eleição, o nosso voto conta, nós TEMOS que votar, o voto faz diferença e se um não faz, juntemo-nos então e se calhar 10 já fazem diferença. Levantem-se os canhões e marchemos para a batalha pelos nossos interesses, não deixando que outros valores se levantem e que sejam mais importantes do que aqueles que realmente interessam.

É a votar que se combate esta anarquia tão característica da democracia cada vez mais “portuguesa”.

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