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UNITED COLORS OF RACISM

Um estudo divulgado no âmbito do programa de investigação “Atitudes Sociais dos Portugueses”, baseado no European Social Survey, revelou o que muita gente já desconfiava: Portugal faz parte das elites europeias no que toca a racismo.

Com efeito, perante uma média europeia de 29,2%, 52,9% dos inquiridos portugueses acreditam que há raças inferiores intelectualmente. A isto se chama racismo biológico e fede a um certo senhor, de bigode inusitado, que acabou a vida com uma pastilha de cianeto na boca, lá para os lados de Berlim. A experiência correu mal não só para ele mas para milhões de inocentes mortos pelas mãos que controlava em prol da raça ariana.

Continuemos a exposição: 44% dos portugueses consultados via European Social Survey acreditam que há culturas superiores às demais. E sobre isto, tenho a dizer que também tem aroma a Adolfo e a outros tantos como ele, à esquerda e à direita, a Norte e a Sul da linha do Equador.

Ainda sobre o racismo em Portugal – e exercido por portugueses – ouso acrescentar que se trata de uma falta de memória e especialmente de vergonha.

A História conta que os Portugueses deram “Mundos ao Mundo”, mas também roubaram a muitos a dignidade e o respeito que lhes era devido ao entrarem nas suas terras e subjugarem o seu povo das formas mais brutais e repugnantes. Sim, porque aculturação era coisa de romanos e mesmo esses tinham escravos.

Quando somos racistas, branqueamos a História. Ora, a História não foi escrita para ser branqueada, mas para ser lida, refletida e servir de rampa de lançamento para um futuro melhor, com menor injustiças, menos dor e mais luz.

Com menos Adolfos e mais Mafaldinhas. Menos Benetton pelas costas e mais cores, sons e sabores no coração.

 

*Este artigo apenas vincula a opinião do seu autor.

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