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Porque é que a vida está cada vez mais cara em Lisboa e no Porto?

Viver em Lisboa ou no Porto é cada vez mais difícil para uma grande maioria dos portugueses. As rendas estão cada vez mais caras, os transportes são cada vez menos eficientes e a mobilidade nas áreas metropolitanas é um desafio cada vez maior, dado o trânsito que se verifica sobretudo nas horas de ponta. O crescimento do alojamento local tem sido apontado como a causa principal para o aumento das rendas e dos custos com a habitação. Contudo, se por um lado a redução do número de casas disponíveis para habitação permanente, no centro das cidades, explica o aumento parcial das rendas, por outro lado fica por explicar o aumento do trânsito de dia para dia.

 

Fica então a questão: Será o crescimento do Turismo o único factor que veio aumentar o custo de vida nas principais cidades do país? Tenho sérias dúvidas.

 

Para que essa conclusão fosse válida, o trânsito em Lisboa e no Porto teria de se manter constante. No entanto, não é isso que se verifica. Os turistas não se deslocam em viaturas particulares e o trânsito tem-se intensificado nos últimos tempos. E, se antigamente o trânsito era apenas caótico para aqueles que se deslocavam para os centros das duas cidades para trabalhar, hoje em dia é complicado também para aqueles que trabalham nas periferias.

 

Chega então a segunda questão: De onde é que vêm as pessoas que intensificam o trânsito e a procura elevada de casas nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto?

 

A resposta é simples! A origem dos fenómenos está no aumento da pressão demográfica, que não se explica através do aumento do número de turistas mas sim através das migrações internas para o litoral do país, sobretudo para estas duas zonas. E, com a pressão demográfica, o custo de vida em Lisboa e no Porto tem de aumentar obrigatoriamente.

 

Hoje em dia, o país tem dois desafios enormes que têm de ser assumidos com seriedade: mobilidade e combate ao despovoamento no interior do país. No entanto, nos últimos anos, apesar de tantos alarmes, anúncios e intenções, tudo se tem mantido inalterado. As medidas que o governo vai anunciando são avulsas, descontextualizadas e a situação continua a agravar-se, tendo acelerado muito com a crise económica.

 

Um dos principais factores para a migração das pessoas é o emprego e, num país como Portugal, muito centralizado em Lisboa e no Porto e em que o Estado é o principal impulsionador da Economia, surgem naturalmente mais oportunidades de emprego nos dois grandes centros urbanos do que no resto do país. E, enquanto assim for, as consequências da pressão demográfica nas duas áreas metropolitanas são uma inevitabilidade.

 

Portugal precisa de corrigir rapidamente o desequilíbrio demográfico! E, agora que se fala tanto em descentralização de competências da Administração central, porque é que não falamos em reorganização da Administração central, que permanece praticamente toda centralizada em Lisboa?

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