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Hora de mudar

Apresento-me aos militantes do distrito de Castelo Branco pela convicção que podemos fazer mais, melhor e diferente. A actual situação do PSD no distrito de Castelo Branco, não encontra razões só nos últimos 4 anos. Já vem detrás a diminuição significativa da nossa base de apoio, quer ao nível do número de militantes, 791 no passado dia 27 de Junho (dados da secretaria geral do partido, sendo este o numero de militantes que se encontram nos cadernos eleitorais), quer ao nível do seu património político com o desperdício constante de massa critica, quer nos resultados que ano após ano tem apresentado em eleições autárquicas. Relembro que o partido já venceu 8 camaras num total de 11. Hoje são 4.

Penso do mesmo modo, que a unanimidade é um sinal de falta de vitalidade de um partido. Alimenta o laxismo e proporciona o relaxe de quem detém o poder. O surgimento de mais listas proporciona o debate de ideias e permite a quem é poder melhorar o seu desempenho, assim tenha essa inteligência.

Para tal é fundamental que as campanhas sejam feitas com lisura e elevação, o que da minha parte será feito até ao ultimo minuto.

O trabalho no partido deve assentar em duas áreas: reorganização interna e intervenção na sociedade civil. A reorganização do partido exige a dinamização das comissões politicas concelhias com a auscultação dos militantes e dos eleitos, porque não basta dizer que se tem concelhias, quando em alguns casos estas não têm qualquer actividade. Deve ser dado apoio á actividade dos eleitos do PSD em todo o distrito, proporcionando a estes as devidas condições para concretização dos objectivos propostos.

Não basta ser eleito e não saber onde para a distrital durante o mandato. É fundamental a preparação atempada dos calendários eleitorais com particular enfoque às eleições autárquicas, porque ninguém ganha eleições escolhendo candidatos a 6 meses das eleições. A promoção de trabalho autárquico com formação de autarcas, agendar matéria politica em concertação com os eleitos locais, coordenação entre concelhias em matérias estruturantes, promover a cooperação com estruturas do PSD de territórios vizinhos em temáticas de interesse comum, realização de congressos distritais, em processo rotativo pelos vários concelhos, em função das temáticas dos mesmos, assembleias distritais abertas a todos os militantes com promoção do debate interno, criação de campanha de comunicação eficaz sobre o trabalho politico do PSD, em particular dos seus eleitos em todo o distrito, entre projectos que os militantes e eleitos apresentem.

A ligação à sociedade civil deve incluir a permanente auscultação aos empresários do distrito para perceção das suas verdadeiras necessidades, a criação de polos de pressão regionais para resolução de problemas (exemplo, os custos das portagens da A23), participação e liderança nos programas de combate aos problemas da interioridade (exemplo, plataforma pelo interior), promoção de debates e encontros, de modo a poder recolher contributos junto da sociedade civil, sobre os problemas e desafios da nossa região, com o objetivo de apresentar propostas concretas, realização de encontros com as diversas forças vivas do distrito, associações, instituições locais, na área social, económica, desportiva e turística.

Sem me querer repetir, considero que o permanente acompanhamento do trabalho dos eleitos, da perceção das suas necessidades, dos seus problemas, das suas ideias, dos seus projectos, enquadrar as politicas, ajudar à dinamização do seu trabalho, respeitar os seus projectos, colaborar na formação dos autarcas (quantas vezes os eleitos, até por via da constante rotação dos mesmos, têm enorme dificuldade no entendimento das questões legais que envolvem o seu trabalho), é fundamental para que o partido se volte a afirmar como força politica.

Quando o PSD está bem e trabalha bem, as pessoas na sociedade civil também beneficiam, e isso tem reflexos obviamente nos resultados eleitorais.

Também é necessário tomar consciência que os problemas de desertificação do interior do país começaram há muitos anos, e devemos ter a noção que Portugal se tornou um país fortemente inclinado, onde a água corre toda para o litoral e em particular para Lisboa. Mas não é só a água.

São as empresas, são os empregos, são as oportunidades de criar um projecto de vida, são os lugares nas universidades, são os nossos jovens, tudo está no litoral.

Sucessivos governos, de todas as cores, nos aguçaram o apetite com conversas e promessas sobre a tal coesão territorial, sobre correção de desequilíbrios sociais e demográficos, sobre a aproximação aos problemas e a percepção das realidades locais, sem qualquer resultado visível, até hoje.

Se o distrito de Castelo Branco tem tanta qualidade de vida, espaços verdes, excelentes infraestruturas de cultura e lazer, ar puro e segurança (e também a auto estrada mais cara do país), porque razão as pessoas insistem teimosamente em ir viver noutros locais, onde nada disto têm? Onde gastam diariamente 2 a 3 horas, quando não mais, em filas de transito. Onde deixam os filhos às 7 da manhã e tornam a vê-los ás 9 da noite, quando não mais. Onde vivem em ambientes poluídos e com pouca qualidade de vida.

Porquê?

Para mim é muito claro. Emprego. Falta de emprego e muitas vezes emprego qualificado. São situações pontuais as que desmentem estas palavras.

É necessário um forte investimento na área económica para criar condições de atractividade para fixação das empresas que insistem em investir no interior e naturalmente atrair outras. E as empresas trazem pessoas. Que vão comprar casa, o seu recheio, carros, consomem no comercio local, ou seja, criam uma fileira de investimento.

O Movimento pelo Interior apresentado recentemente, liderado pela Guarda, parece-me ir no bom caminho, com as suas 25 medidas apresentadas.

Veja-se o ridículo dos incentivos no IRC nas PME do interior. Apenas existem para empresas com matéria coletável até 15 mil euros. A partir daí prevalece a taxa dos 21%. Ridículo.

Se a PME tiver um lucro de 100 mil euros/ano, o beneficio de IRC que vai ter, por se situar no interior em vez do litoral é 0,675%. Se o lucro chegar a 1 milhão de euros/ano esse incentivo cai para 0,07%. Mais adjetivos para quê?

Queremos um PSD maior e melhor, acreditamos que podemos fazê-lo.

Teremos de ser capazes de rejuvenescer o partido, congregando todos os nossos militantes em torno de ideias comuns, e que estas ideias constituam uma atracção para novos militantes.

Um partido capaz de acolher os mais jovens e os mais idosos, os mais e os menos letrados, enfim, todos quantos se revejam no ideal e na matriz social democrata.

O partido tem de ser capaz de voltar a ser uma casa grande de debate e de respeito por todos os militantes, dos eleitos às bases, onde todos se revejam, onde todos sintam os reflexos das suas participações e do seu contributo.

O partido deve voltar a ser bandeira da resolução dos problemas da nossa região, seja a redução de população, sejam as condições para quem investe e trabalha no interior.

Teremos de ser capazes de nos afirmarmos como força política, com representantes em quem os cidadãos confiem e nos quais se identifiquem.

E para isso, queremos contar com o apoio de todos, e todos não seremos demais.

Assim tenhamos a vossa confiança, este será o nosso compromisso.

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