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Uma visão menos feliz da educação

Porque hoje é um dia marcante na nossa História, em que todos vimos, ouvimos e estudámos, a revolução dos cravos, o golpe de estado do 25 de Abril, porque somos descendentes das gerações que combateram, que viveram esses dias, achei que não podia deixar de passar em branco este dia, dedicando-o à educação.

Neste virar de página, passamos de um povo dito ignorante para um povo mais alfabetizado. Assistimos a várias reformas no ensino e porque estamos num estado de direito dá-se cumprimento ao artigo 74º, ponto 1, no qual “todos têm direito ao ensino como garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolares”. Assim lido, tudo tem para correr bem. Todos têm as mesmas oportunidades, os professores são pessoas devidamente credenciadas e idóneas, os encarregados de educação e pais estão devidamente informados dos direitos, deveres e obrigações e como tal Portugal está em condições de ter uma população não só formada como informada. Tristemente não é esta a realidade. Assiste-se cada vez mais a uma sucessiva reformulação de programas que em vez de aproximar docentes e discentes do propósito que é formar cidadãos bons e integrados numa nova sociedade, cada vez mais há uma maior disparidade entre o que se pretende e o que se obtêm. Os pais por diversos motivos encaram a escola como um depósito, onde os seus filhos devem adquirir saberes, educação académica, mas acima de tudo educação comportamental. Claro que não são todos os pais. Mas infelizmente são a maioria. São em número suficiente para descredibilizar todo o sistema de ensino. As turmas são grandes, os currículos extensos e não há consenso quanto ao número de horas que os alunos devem permanecer nas escolas. Isto é, cumpre-se a lei. Mas serão essas horas as indicadas? Será que passar tanto tempo dentro da escola resulta em pessoas mais formadas? Ou pelo contrário, não estaremos a criar jovens cada vez mais imaturos, mais dependentes das novas tecnologias que não são na maior parte devidamente utilizadas? Temos jovens cada vez mais carentes de afetividade, mais dependentes de tudo o que pode ser nocivo à sua formação pessoal. Então e os pais? Onde param os pais? Será que estão realmente cientes do que se passa com os filhos? Ah! Seguem as consultas de desenvolvimento e é diagnosticado a muitos jovens a corriqueira hiperactividade. São medicados, os professores atormentados e toda a dinâmica normal das escolas é accionada, ensino especial, serviço de psicologia, testes diferentes, ensino diferenciado numa mesma turma. Fantástico. Com algumas excepções, o que estes alunos precisam é de pais. Os professores não são substitutos. Mas assim são encarados e responsabilizados pelo insucesso demonstrado. Fazem-se novos e estudos., e temos várias situações. Pais da geração X, que tentaram dar tudo aos filhos como forma de os compensar pela sua ausência. Resultado: filhos ditadores e dissociados da sociedade. Pais desta geração X, mas com um nível sócio económico baixo a médio que tentam a todo o custo darem uma educação conforme aos filhos e sim são os companheiros de sempre e que trabalham o mais que podem, cumprem na medida do possível e os filhos seguem melhores caminhos. Infelizmente poucos ficam em Portugal. Depois temos pais com um nível sócio económico médio e que se consideram superiores a tudo. São já filhos da geração X, mas por algum motivo ou outro não cresceram, não amadureceram e sentem-se hostilizados, sentem que desde sempre os professores estiveram contra eles, e como tal estes são um alvo a abater. Estes pais não dão tréguas. Não entendem mais do que aquilo que vem nos manuais e que eles estudam conjuntamente com os filhos não os deixando crescer. Não os tornando autónomos. Conclusão, os professores quando dão conta não estão a avaliar os alunos, mas sim os pais dos alunos. Não são os alunos os culpados. Têm comportamentos disruptivos em sala de aula, ou pelo contrário são crianças assustadas. Todo o sistema de ensino é assim boicotado. Os professores têm toda as obrigações, todos os deveres. Os alunos têm direitos. Os professores não têm direito a assistir às suas famílias. Não podem ser criativos porque se afastam do que os alunos que estão em casa a controlar, não deixam. Mas as políticas governativas têm culpa. Têm muita culpa. Nunca assumem o papel que lhes compete. É no terreno que se assistem às lutas, às dificuldades. É no terreno que se estuda os casos e não no conforto dos gabinetes. Quem dá o corpo às balas são os professores e os alunos que querem aprender. Sim, porque ao lado de alunos que passam horas numa escola sem abrir um livro, sem escrever uma linha, há outros que querem a todo o custo ser alguém. A educação é realmente para todos. Não é só para os mais capacitados. Contudo, a educação neste momento privilegia os alunos insurrectos, os alunos menos autónomos pelas razões acima descritas em detrimento daqueles que por mérito próprio se esforçam por ter formação e por serem alguém. São estes jovens imaturos e inseguros os Homens e Mulheres de amanhã.

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