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O XXV Congresso Nacional da JSD

Realizou-se durante os dias 13, 14 e 15 de Abril a vigésima-quinta reunião magna daquela que é a maior e a melhor juventude partidária de Portugal. Volvidos 8 anos da disputa entre Duarte Marques e Carlos Reis, eis que a JSD voltava a viver um congresso disputado o que desde logo imprimia uma apetecível sensação de derby nos congressistas, qual sangue a ferver em ansiedade pelo grande confronto que se iria disputar. Este congresso marcou também um fim de ciclo importante na JSD: seria o adeus de Simão Ribeiro, militante que durante quatro anos esteve à frente da Comissão Política Nacional. Resta agora ao tempo e à história desempenharem os seus papéis e colocarem o Simão no lugar que será dele por direito. Um muito obrigado Simão por tantos anos de dedicação à nossa estrutura, por tantas lutas que travaste e sobretudo pela coragem de teres assumido a JSD num período tão difícil, após a fatídica proposta de referendo à co-adopção.

Vamos passar já para o after-match: ganhou a Margarida Balseiro Lopes e a candidatura Conquistar Portugal. Ganhou aquela que foi a candidatura que durante todo este processo foi acusada de dinástica, de continuação, do sistema e da estagnação. Pois a verdade é que ganhou a candidatura melhor preparada, com os melhores quadros e que era portadora de uma mensagem verdadeiramente positiva. Saiu derrotada a candidatura É Tempo da JSD, encabeçada pelo André Neves. O ex-Vice Presidente da JSD mostrou uma coragem incrível ao avançar com esta candidatura, chamou a si um exército de grandes nomes da estrutura e encetou uma luta feroz contra a Margarida e contra a sucessão natural ao Simão. Aos vencedores, exige-se agora trabalho e que nunca se esqueçam que lhes foi dada uma honra maior que qualquer um deles individualmente, a de liderarem a Juventude Social-Democrata; aos vencidos, uma enorme vénia pela coragem que demonstraram e por mostrarem que a JSD está viva e que respira democracia.

Voltemos ao congresso propriamente dito. São 22 horas de sexta-feira 13 e o companheiro Zé Miguel Baptista anuncia que estão abertos os trabalhos do congresso. As habituais intervenções de abertura decorreram ainda num clima de paz, sentindo-se no entanto desde o primeiro momento um fervilhar de emoção e rivalidade entre os apoiantes das duas candidaturas. Para quem olhasse a sala a partir do púlpito, do seu lado esquerdo tinha os apoiantes do André, enquanto que do lado direito encarava os delegados que tinham colocado o seu coração na candidatura Conquistar Portugal. E foi sobretudo de coração que se fez este Congresso. Terminadas que estavam as aberturas, chegou o momento de fazer o balanço do mandato e aí cada lado começou a tirar do bolso as facas muitíssimo afiadas que tinham preparadas para tentar ferir de morte o lado oposto. O congresso tinha agora verdadeiramente começado, estava montado um verdadeiro cenário de combate. Apoiantes de ambas as candidaturas começaram a desfilar no palco e a “trocar mimos” entre si. Pelo meio lá tivemos a Margarida e o André, os principais protagonistas do fim-de-semana. A sessão termina já para lá das 5 horas da madrugada, depois de muitos aplausos efusivos e apupos dos dois lados da barricada. Depois da noite de sexta-feira ninguém tinha dúvidas: este seria um congresso marcante e que levaria ao limite as paixões de cada militante e que testaria os nervos de aço de todos aqueles que subissem ao palco. Uma palavra muito especial à Daniela José e ao Tiago Lucas, por terem sido dos primeiros a subir ao palco na noite de sexta-feira com intervenções pertinentes e corajosas.

O segundo dia de congresso teria boa parte reservada à apresentação das 72 moções sectoriais que as várias distritais e militantes quiseram apresentar aos restantes congressistas. Adivinhava-se portanto um dia longo e com muita matéria política para reflectir. A matemática aqui é simples: a apresentação de cada moção tem a duração de 5 minutos. Se este tempo fosse cumprido de forma irrepreensível teríamos exactamente 6 horas alocadas para a apresentação de todas as propostas. Com os habituais atrasos e com a pausa para almoço já só ao final da tarde se deu por terminada esta maratona. É fundamental repensar-se esta parte do Congresso: a produção política é essencial dentro da JSD e por isso deve ser respeitada de outra forma. Uma maratona destas apenas retira mérito às moções apresentadas pois é humanamente impossível assistir e acompanhar na integridade esta parte dos trabalhos. Terá necessariamente de se optar por um modelo diferente de congresso. Terminadas as moções sectoriais, foi tempo de dar palco às moções de revisão estatutária. Em muito menor número que as propostas sectoriais, a apresentação de propostas de revisão de estatutos conclui-se rapidamente e leva à votação de cada uma das propostas apresentadas ao longo do dia. E aqui, apesar de a JSD as continuar a rejeitar, aquilo a que assistimos durante a votação das moções foram umas autênticas directas. Com o voto em bloco de ambos os lados, os afectos à Margarida conseguiram chumbar algumas moções particulares (facto praticamente inédito em congressos) e assim ficou claro para todos: a próxima líder da JSD estava encontrada. Não restavam dúvidas que o número de delegados com intenção de votar Conquistar Portugal era muito maior que aqueles que queriam o André como Presidente da JSD. Vale a pena referir a enorme prestação do distrito de Castelo Branco neste congresso: 4 moções subscritas pela distrital, 3 moções subscritas em nome individual pelos companheiros Pedro Caniça, Cristiano Gaspar e Tânia Sousa Ribeiro e finalmente uma revisão estatutária da co-autoria do Hugo Lopes, Presidente da distrital de Castelo Branco. É desta fibra que se fazem as gentes do nosso distrito, orgulhosas em propor medidas em prol do nosso país, do Interior e sobretudo dos jovens.

O sábado ia já longo e por isso a pausa de duas horas para jantar foi aplaudida por todos os congressistas. Seguiam-se então os momentos de maior protagonismo dos dois candidatos. Com as apresentações das respectivas moções de estratégia global, cada um tentou deixar a sua marca definitiva neste congresso e convencer os delegados ainda indecisos. Aqui, o ambiente de grande euforia continuou a sentir-se, ambas os lados sempre fervorosos no apoio ao seu candidato, quais claques dos maiores clubes de futebol de Portugal. Após a apresentação de cada um dos candidatos, segue-se o momento alto do congresso: 5 apoiantes de cada uma das candidaturas tinha direito a subir ao púlpito e a esgrimir argumentos pelo seu lado. Durante cerca de duas horas ouvimos os discursos mais corrosivos, os ataques mais frontais de lado-a-lado, sempre num ambiente de grande emoção e entrega total à candidatura apoiada. Estava assim feito o congresso, aquilo que se seguiu a estas 10 intervenções teve pouca história e pouco público. Afinal, estávamos todos ali era para ver os melhores pontas-de-lança de cada candidatura baterem-se pelo seu lado até ao knockout adversário. Valeu um enorme momento de humor do Alexandre Poço, Presidente da Distrital de Lisboa, quando trouxe para o vocabulário político a tão famosa quiche.

O domingo da decisão lá chegou e os vários delegados foram chegando a conta-gotas às mesas de voto para fazerem valer a sua maior arma, o voto que tinham conquistada nas suas concelhias. Não há nada de errado com esta forma de representação e por isso é essencial que a JSD não siga o mesmo caminho do PSD e que resista sempre às tentação das directas. A votação decorreu dentro de toda a normalidade, e por volta do meio-dia e meio já os apoiantes da Margarida festejavam. Estava confirmado aquilo que já todos esperávamos, vitória da melhor candidata. Assim que todos os eleitos para a Comissão Política Nacional, Conselho Nacional, Comissão Eleitoral Independente e Conselho Nacional de Jurisdição subiram a palco, foi a vez de Rui Rio tomar a palavra e começar a sessão de encerramento do congresso. Um discurso completamente em contra-corrente de tudo aquilo que tínhamos visto durante o fim-de-semana: calmo e sereno, o Presidente do PSD lá foi falando dos principais problemas do país e lançando umas farpas a António Costa. De facto a juventude respira política de outra forma, sempre com o sangue muito mais quente e com o coração na boca. A recém eleita Presidente da JSD teria a honra de encerrar o congresso. Um discurso voltado para o futuro, em que não deixou de vincar a autonomia que a JSD deverá guardar em relação ao partido. Que assim seja sempre e sem excepções.

Foi assim o XXV congresso nacional da JSD. O congresso das paixões e dos ataques; o congresso que deveria decidir entre uma cara que todos conhecem ou o candidato que se auto-denominava “anti-sistema”. O que é facto é que a luta foi dura e por isso as feridas são profundas e custarão a sarar. Mas a JSD deve caminhar todos os dias por propósitos maiores e por isso não pode sucumbir à sua própria ruptura interna. No entanto, o que mais me preocupa é a imagem que a sociedade civil passará a ter da JSD depois deste congresso. Bem sabemos que actualmente a nossa sociedade não está minimamente receptiva às causas das juventudes partidárias, muito menos a uma Jota em que os seus militantes estão internamente divididos. Cabe então agora a esta nova JSD mostrar que a guerra acabou e que o congresso ficou encerrado precisamente ali, dentro das paredes do pavilhão municipal da Póvoa de Varzim. São tempos novos que se exigem à Comissão Política Nacional que agora tomou posse; são tempos de muito trabalho que se avizinham para a Margarida e para os seus. Viva a JSD! viva Portugal!

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