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Saúde de segunda? Não!

“Quem me dera que viessem todos os anos”, ouvimos em Odemira. “É fascinante ver aqui a vossa presença”, repetiram-nos um pouco por todo o País. Foram duas semanas, 12 localidades, 3000 quilómetros, mas de 800 rastreios de norte a sul, em nome da nossa promessa: Não deixar ninguém sozinho. Recentemente, a Ordem dos Enfermeiros, em parceria com a TSF, decidiu entregar-se ao interior do país, de norte a sul, passou inclusivamente pela Sertã, com o objectivo de fazer rastreios de saúde gratuitos à população. O que encontrámos não nos surpreendeu. Temos um Portugal a várias velocidades na Saúde. As palavras das pessoas dizem tudo. Sentem-se sozinhas, desamparadas e a falta de enfermeiros multiplica esse sentimento.

É preciso permitir que os enfermeiros saiam dos Centros de Saúde e dos Hospitais e reforcem o seu papel no terreno. O projecto que desenhámos com a TSF nasceu para servir o País. Não há outra forma de estar na Saúde. Não pode haver outra agenda que não esta.

Os cuidados de saúde precários no interior são um dos factores que impedem a fixação de residentes. Se queremos combater a desertificação temos de garantir serviços de saúde de qualidade a quem fica. Garantir-lhes que tudo funciona, desde os cuidados primários à emergência médica. Recuso aceitar que na saúde existam utentes de primeira e utentes de segunda, que é o mesmo que dizer portugueses de primeira e de segunda. É fundamental que se entenda que a coesão social e territorial também passa pelo sector da saúde.

Metade desta Legislatura já passou. Com ela voaram oportunidades de mudança. É preciso parar para fazer um balanço, ganhar força e seguir na defesa daquilo que consideramos ser um Sistema de Saúde capaz de responder aos verdadeiros anseios da população, de toda a população. Estamos apostados numa missão de proximidade e serviço, talvez hoje mais do que nunca enquanto Ordem profissional, também porque o actual panorama no sector assim o exige. Corremos o risco de perder mais uma oportunidade para combater estas desigualdades óbvias. É preciso contratar enfermeiros e incentivá-los a ficarem no interior. Basta olhar para a história, e até para o dia-a-dia, para perceber que estes profissionais não viram as costas a quem precisa. Cuidam, mas também precisam de ser cuidados.

Num País onde faltam 30 mil enfermeiros é urgente contratar, especialmente para as zonas onde fazem mais falta. Desta batalha não vamos desistir.

 

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