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Mais uma vez, Belmonte

Apesar de ter coração serrano, foi no concelho de Belmonte que fui criada, que estudei e naturalmente a ele me apeguei.  Aqui vivo, como outros, mas o futuro é uma incógnita.

Como já referi anteriormente, Belmonte está e bem virado para o turismo. Mas, é mesmo só para o turismo.

Claro, que isso tem o seu preço. Nem todos vivem nem podem viver do turismo. Há profissões que ou não existem ou estão em vias de extinção. Se em tempos para cá vinham ingleses, escoceses passearem e por cá ficavam, agora só passeiam. Os brasileiros dada a nossa proximidade em termos fundadores e culturais, se em tempos nos aproximou, agora não passa de uma quimera. Nos anos oitenta e noventa, muitos eram os que vinham de Lisboa para ficar à procura de melhores ares (afinal o ar que se respira é mais saudável, tudo mais biológico). Mas os sonhos foram morrendo. As ruas foram-se desertificando e em dois mil e dez mais ou menos, começou a migração e emigração. Os judeus eram um forte potencial neste concelho, também eles após a sua formação académica, viraram-se para Israel.

Nós por cá vamos andando.

As segundas feiras eram dias cheios em Belmonte alternando as quinzenas com Caria. A escola formava alunos desde o pré-escolar até ao final do secundário. Hoje teme-se pelo futuro do secundário. Todos os anos, professores, pais e alunos, sofrem por antecipação desse êxodo: “Será que vamos assistir a mais um fecho não de escola mas de ciclo?”
Bom, é que quando eu nasci, haviam todas as áreas e nesta escola com tantos alunos, todos eles se formaram e foram-se embora. Poucos ou nenhuns voltaram. Agora, saem mais cedo para outras paragens.

 Afinal, o que tem Belmonte para oferecer aos jovens?

Um café de esquina partilhado com outros e que tornaram atípicos os cafés próprios da juventude, onde está? Teatro, essa arte fantástica de que tanto precisamos, onde para? “Temos a escola de Música” Pois, mas a música só às vezes vem para a rua, a escola só às vezes vem para a rua.

Mas quem quer saber? Nós os jovens queremos saber! Nós os jovens adultos queremos saber do nosso futuro. Nós preocupamo-nos com o destino do nosso concelho. Porque é que não há mais debates e palestras? Ah! Já sei, infelizmente essa cultura que queremos não dá dinheiro. Não é turismo. Mas nós vamos continuar a apelar, a gritar e a ir para a rua apregoar o nosso bairrismo, o nosso concelho é que não pode morrer! Onde estão as tantas histórias que os mais velhos têm para nos contar? Não estão. Ninguém já nos conta histórias. Ninguém quer saber. Isto é, nós jovens queremos saber, queremos ouvir e um dia poder contar, queremos contar a nossa história e as dos nossos avós, queremos cantar as cantigas da rua do nosso concelho.

Nós, jovens, prometemos: Belmonte não vai morrer!

 Nem que a voz nos doa, nós vamos clamar sempre e sempre por Belmonte.

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