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Portugal, o Interior e Belmonte

Portugal tornou-se num país da moda, pelos bons e maus motivos, mas está na moda. Tem um Presidente dos “afetos”; arrebata o Europeu de futebol; as medalhas desportivas sucedem-se; temos o Ronaldo, o “Special One” José Mourinho; o Joaquim de Almeida; temos António Guterres, que só sucedeu a Durão Barroso; Mário Centeno; até me esquecia do Salvador Sobral. A Madonna resolveu arrecadar o Ramalhete, inscreveu os filhos no Sport Lisboa e Benfica; Harrison Ford apaixona-se pela Lello, faz fotografias no Porto. E bom, Sunset para aqui e Sunset para ali, e começam os incêndios.

Portugal aparece nas notícias internacionais.

E nós por cá?

Debatemos a justiça lidando “tu cá, tu lá” com problemas comezinhos de juízes pouco fiáveis; violência doméstica: “o que é isso?”; os professores que se sentem injustiçados (vá-se lá saber porquê, possivelmente porque desde 2004 que vêm as carreiras congeladas, com promessas carregadas de boa vontade, por parte de quem manda).

Bom, nesta geringonça (que não podemos esquecer, a palavra mais votada de 2016) lá voltamos nós ao tema estafado e surrado da interioridade. É o problema das portagens, falta de médicos (o SNS não vive de certo os melhores momentos), poucos transportes (o que soa a irónico, pensando nas portagens, já que não rimam), pouca difusão de cultura (já que não se vive só de futebol nem de festivais da canção, e nem os telejornais ajudam) e claro, a centralização do poder vai-se sentindo cada vez mais, que é como o tempo. O inverno vai frio, pouca chuva, adivinha-se um verão de seca severa, a fome é uma certeza… O futuro, ao litoral pertencerá.

Contudo, a gente serrana é naturalmente positiva. Do alto da Serra, mais perto do céu, pensam-se em dias melhores. Uma Universidade bem colocada nos rankings, cursos com saída profissional… Mas! Faltam subsídios. À volta da Universidade começa o desânimo. Mas vive-se.

Estes são uma súmula de alguns problemas que afligem as gentes do Interior.

Belmonte não se situa na Serra. Geograficamente, está numa extremidade do distrito de Castelo Branco já quase como que a tocar o distrito da Guarda, mas com pouca visibilidade ao fundo do túnel. Um Concelho de história, ou não fosse berço de Pedro Álvares Cabral e último reduto de judeus fugidos, primeiro da inquisição e depois escondidos com medo de Salazar.

Se inicialmente era uma terra de camponeses e que viviam num clima instável dominado e dependente dos Senhores, não é menos verdade que mudaram os tempos e mudaram os Senhores, mas mantiveram-se as condições de vassalo.

O que tem Belmonte, que as pessoas desconhecem?

Um turismo fantástico, gentes acolhedoras, alguns hotéis/pousada, restaurantes, comércio virado para o turista e uma localização e vista fantásticas. Assim dito, Belmonte é um paraíso.

Na realidade: as pessoas debatem-se com desemprego; a escola (só há uma) tem falta de alunos; cada vez mais há subsidio-dependentes; crianças sinalizadas pela proteção de menores; a fome grassa; surgem notícias e ainda por cima “fiáveis” de assédio sexual nos locais de trabalho; vandalismo; aumento do consumo de droga e do absentismo escolar; e mais grave ainda: os pais não têm tempo para serem pais (querendo eu parecer simpática).

Então, o que tem Belmonte que o Interior e Portugal não têm?

Uma vergonha escondida Senhores.

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