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Portugal mais digital e inovador

Portugal tem todas as condições para ser uma referência mundial no âmbito da digitalização do tecido económico como base de uma economia onde a inovação e o talento são eixos de criação de valor e riqueza.

A digitalização da economia e o papel cada vez mais determinante das tecnologias de informação na cadeia de valor caracterizam as economias modernas, como são o caso da Suíça, Suécia, Holanda, EUA, Reino Unido e Dinamarca. As empresas e os negócios de hoje são apoiados por sistemas de informação, com crescente intervenção de automatismos, tendência a aumentar no médio e longo prazo, em particular no recurso a aplicações para interação com consumidores.

A digitalização da economia traduz-se assim não só na proliferação de negócios digitais, sem existência física de inventário e reduzido número de trabalhadores (AirBnb, Zomato, Uber, Booking, etc.), como também na cada vez maior intervenção de automatismos e sistemas de informação nos negócios existentes. Estas alterações requerem uma adaptação ágil por parte das empresas, da força de trabalho e do Estado, sob risco de se perder competitividade internacional e capacidade humana de gerir a transição para a nova economia.

As áreas de trabalho rotineiras de salários médios serão gradualmente reduzidas e substituídas por automatismos. Um estudo de 2013 que conclui que 47% dos trabalhadores norte-americanos tinham ocupações passíveis de automatização (transportes, logística, receção, segurança, construção, extração, entre outros), contra 35% no Reino Unido (que os autores afirmam ter maior peso em trabalhos criativos, menos passíveis de automatização) e 49% no Japão.

Outro estudo aponta para 35% a 60% de empregos em risco na União Europeia devido à digitalização da economia. No entanto, esta perspetiva não é de catástrofe eminente. Por exemplo, o aparecimento de caixas multibanco não eliminou o emprego de bancários, antes alterou a natureza principal do trabalho desempenhado. É esta a expectativa global para o mercado de trabalho; tarefas rotineiras serão facilmente substituídas por automatismos e tecnologias de informação, existindo áreas de trabalho que dificilmente serão substituídas, ficando “reservadas” à mão humana.

A reconversão de trabalhadores será crucial para responder aos desafios da nova economia, ideia defendida, entre outros, pelo presidente da Agência Nacional de Inovação. Deste modo, reconverter desempregados em profissionais das TICs poderá ser uma solução prioritária, já que os antigos desempregados encontrarão uma nova área de trabalho que pode beneficiar da sua experiência anterior.

Em Portugal, apenas 64.2% das empresas tinham presença online em 2016, com as indústrias transformadoras, alojamento e restauração abaixo desta média. Em termos europeus, Portugal encontra-se abaixo da média (77%), à frente apenas da Bulgária, Letónia e Roménia. Um estudo de uma consultora mundial suporta que apenas 17.7% das PMEs portuguesas têm um elevado nível de digitalização, bastante abaixo por exemplo dos 25.3% das espanholas e dos 35,5% das PME finlandesas. O mesmo estudo suporta que um dos grandes entraves que se coloca às empresas é a falta de cultura e formação digitais, seguido da dificuldade de avaliar os benefícios económicos de investimentos digitais. Torna-se por isso crucial que as PMEs sejam sensibilizadas para os benefícios do investimento em IT.

Estas conclusões, bem como as considerações acerca dos conhecimentos dos recursos humanos, reforçam a necessidade de sensibilização e formação contínua das empresas. Uma alternativa será a atribuição de benefícios fiscais a PMEs que invistam na formação dos seus recursos humanos, por exemplo sob a forma de benefício em IRC. Também podem ser analisados benefícios fiscais em sede de IRC que apoiem e recompensem os esforços de adaptação à legislação de outros países para efeitos de exportação e-commerce, atendendo a que representam um investimento inicial oneroso para PMEs.

É necessário que exista evolução legislativa que permita acomodar as novas realidades em termos de negócios, procurando-se ainda incentivar a exportação através de e-commerce e a formação contínua nas áreas das tecnologias de informação para os trabalhadores que já se encontram no mercado de trabalho.

No entanto, outro aspeto considerado absolutamente prioritário e no qual o papel do Estado é insubstituível é o investimento na introdução de formação transversal em programação e tecnologias de informação no Ensino, garantindo-se assim desde já um investimento de médio-longo prazo nas novas gerações que visa permitir que se familiarizem com as ferramentas de trabalho que serão necessárias, transversalmente, na generalidade das profissões.

Desta forma, urge vencer o desafio da digitalização e da inovação, o que deve significar a adoção de medidas concretas como a alteração do regime atual estipulado para os cheques de formação; novos programas de formação em e-commerce para PME; melhorar a formação digital de desempregados, reforço da digitalização e informática nos programas escolares; digitalização das empresas com o selo “Portugal Sou Eu”, criação de um programa específico de digitalização e inovação dos setores tradicionais e a criação de indicadores nacionais para certificação e qualificação do grau de inovação das empresas.

O mundo digital não é uma tendência de amanhã, é uma realidade de hoje.

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