Blog

Exames Nacionais

A quem me esteja a ler é normal que estranhe uma reflexão sobre este tema em pleno Fevereiro, já que é hábito que artigos versando este temática apenas surjam em Maio ou Junho, época coincidente com o início destes momentos de avaliação. E só aqui a discussão e o debate sobre estes começa a surgir..

É aliás costume, talvez um bocadinho ao jeito português, somente refletir sobre o errado quando este está prestes a acontecer, ou já aconteceu, e não quando se está a tempo de uma verdadeira prevenção. Reclama-se durante 2 meses do ano e passam-se os restantes 9 a pensar na morte da bezerra.

Após anos e anos de debates sem conclusões nem efeitos práticos sobre este assunto – provavelmente a maior lacuna do ensino português – continuamos na mesma situação: os exames a valerem 30% da nota interna da disciplina a que correspondem e a contarem até 50% enquanto provas de ingresso para o ensino superior. Ora, fará em algum momento sentido que 120 minutos da nossa vida valham tanto como anos de aprendizagem? Fará realmente sentido que um exame, que beneficia cada vez mais a capacidade de memória e cada vez menos as competências individuais de cada aluno, nos comprometa para o resto das nossas vidas? Oxalá fosse este apenas um problema com que apenas eu, ou alguns outros jovens, se vissem confrontados durante a sua vida estudantil. Para pesar de todos, creio ser já consensual entre a massa estudantil, professores e alunos, que este é um problema real com o qual milhares de estudantes se vêem confrontados e, como se nada fosse, se têm que conformar. Possa embora parecer hipócrita, sendo que são recorrentes as “bocas” de que é esta uma bandeira dos maus alunos, não o é, de todo. Não posso aceitar e eventualmente achar que este é o método mais correto, simplesmente porque até então ainda não se encontrou outro melhor. Este é um argumento oco e comum para defender a manutenção de um certo estado de coisas. Como nos ensinou Fernando Pessoa, “ser descontente é ser Homem” e enquanto ser humano, jovem e estudante que sou não posso limitar-me ao que vejo que prejudica milhares e milhares de estudantes anos após anos.

É tempo de lançar o debate mais uma vez e esperemos que seja o último. De conversas ocas, bacocas e sem conclusão estão os estudantes e professores portugueses fartos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *