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A estrada à nossa frente

A problemática da coesão territorial é provavelmente, a par dos incêndios e das cheias, um dos poucos assuntos capazes de unir as diferentes forças políticas portuguesas. Todos os quadrantes políticos assumem uma grave preocupação em relação às condições de vida dos habitantes do interior do país e à disparidade do poder de compra num país com 200km de largura. Ora, o problema é que esta aparente preocupação é só mesmo isso, aparente. Na hora de passar das palavras aos actos, é sem piedade que se continua a castigar o interior deste país à beira mar plantado. Vamos ao mais recente caso de estudo?

O ano novo começou com um miminho para os portugueses: o dia 1 de Janeiro traz um novo aumento do preço das portagens das auto-estradas de Portugal. Ainda bem que virámos a página da austeridade… E se um aumento nas portagens não é novidade é também sem surpresa que, infelizmente, se chega à conclusão que este aumento é mais penalizador para o interior. Eis o plano de coesão territorial a funcionar em todo o seu esplendor. “Novas tarifas deixam utentes perplexos”, escreve o Jornal de Notícias do dia 18 de Janeiro. Pois perplexo só pode mesmo ficar quem ainda acredita que a recuperação do interior pode ser mais que uma bonita bandeira eleitoral.

As ex-SCUTs demonstram bem o impacto que a taxação abusiva de portagens acarreta para as populações do interior. Vejamos o caso da A23, a auto-estrada da Beira Interior que atravessa boa parte do distrito de Castelo Branco. Até recentemente esta era uma das auto-estradas mais caras do nosso país, sendo inclusive mais barato viajar entre o Porto e Lisboa pela A1. É absolutamente inconcebível como se pode taxar desta forma aquela que é a principal via de ligação da Beira Interior com o resto do país. É ainda mais grave quando nos lembramos que não existem alternativas reais à A23, enquanto estas são diversas em estradas do litoral. A isto chama-se boicotar um dos principais canais de possível desenvolvimento do interior português. A história recente da A23 é quase tão sinuosa como as pequenas estradas que os governos nos tentam vender como alternativas. No início de 2017, o governo PS decidiu diminuir o preço das portagens para as voltar a aumentar em meados do ano passado. Com 2018, vem o novo aumento que já aqui referimos. Tudo isto acontece precisamente quando o PS da Federação de Castelo Branco tinha prometido a sua abolição total. Mais uma vez, é estranho o conceito de fim de austeridade de alguns.

Todo este contexto coloca em causa a qualidade dos serviços e do investimento que é feito no Interior de Portugal. O turismo, que sempre foi um dos pilares da economia da Beira Interior, em particular da zona da Serra da Estrela, vê-se igualmente afectado pela prática abusiva das portagens no nosso país. Sejamos francos, é pouco convidativo um passeio ao coração de Portugal quando se conhece antecipadamente aquilo que se irá dispender em deslocações. Se todos concordamos que o turismo é um meio por excelência para o desenvolvimento do interior, vale a pena reflectir e debater sobre todos os impedimentos exteriores que ameaçam a sua concretização.

O turismo como alavanca de desenvolvimento do interior; a injustiça social e territorial causada pelos aumentos sucessivos do preço das portagens. Estes são dois temas que estão na ordem do dia do combate da JSD Distrital de Castelo Branco. Por um lado, o comunicado que emitimos no passado dia 20 de Janeiro (acompanhado de filme-resumo) expõe mais uma vez o amadorismo com que tem sido feita a gestão das portagens no interior do país. Não admitimos que o governo perca mais tempo com novas ponderações e apelamos a que as várias forças políticas e sociais se juntem à nossa estrutura na defesa dos interesses dos utentes das auto-estradas do interior. Acreditamos genuinamente que as manifestações organizadas em tempos contra os preços praticados nas ex-SCUTs não se tratavam apenas de manobras para denegrir o governo da altura. Por outro lado, temos o prazer de organizar já no próximo dia 2 de Fevereiro na Covilhã a conferência “O Turismo como Motor de Desenvolvimento do Interior”. O painel conta com três oradores de luxo: Adolfo Mesquita Nunes, Vereador pelo CDS-PP na Câmara Municipal da Covilhã e ex-Secretário de Estado do Turismo; Cláudia Aguiar, Eurodeputada pelo grupo parlamentar PPE e galardoada com o prémio de melhor eurodeputada no ano 2016 na área do Turismo; finalmente Luís Veiga, ex-Presidente da Associação da Hotelaria de Portugal e cidadão honorário da Covilhã. Esta conferência insere-se no Projecto Político “Agora, o Interior”, iniciativa que a actual Comissão Política da JSD Distrital Castelo Branco levará a cabo até ao fim do seu mandato e que se constitui como a maior plataforma de debate sobre as questões mais importantes do interior, alguma vez realizada por uma juventude partidária.

É importante não baixar os braços na defesa de uma regulamentação das portagens mais justa para o interior. Não pedimos nenhum tipo de descriminação positiva, apenas não aceitamos que nos continuem a descriminar negativamente. Vale a pena portanto debater seriamente este problema, e perceber que consequências económicas dela advêm. Contamos assim com todos no próximo dia 2 de Fevereiro, pelas 21 horas e 30 minutos na Biblioteca Municipal da Covilhã para falar de turismo, mas sobretudo para falar de desenvolvimento do interior.

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