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PSD: o dia depois do amanhã

Desde o dia 13 do presente mês que o Partido Social Democrata conta com uma nova liderança. Apesar de tal só ser entronizada no congresso nacional previsto para fevereiro, a agitação já se faz sentir e a discussão sobre o futuro do partido entra agora numa nova fase. A vitória de Rio, entre muitas outras coisas, tornou clara a relevância de se ter em devida conta o poder e o impacto das manifestações e respectivas motivações dos militantes base, isto é, as ditas “bases”, em eleições directas como as que no passado dia 13 elegeram o antigo autarca do Porto para o próximo biénio. Nem sempre esta matéria foi clara, e basta olhar para as mais variadas eleições directas ou também vulgarmente conhecidas por “primárias” nos diversos partidos pela Europa fora, incluindo Portugal, para perceber que a quantidade de vezes que as “bases” rejeitaram candidatos de continuação é avassaladora.

Se é evidente que Santana recolheu especial apoio de vários dirigentes de estruturas nacionais e locais, bem como da maior parte de membros do grupo parlamentar do PSD – é também certo que a maior parte do apoio de Rio foi proveniente de gente que não esteve debaixo dos holofotes nos últimos anos, de gente que foi saneada de listas (ver o caso de Lisboa) e claro, de militantes que anonimamente contribuíram para a significativa vantagem de Rui Rio. O resultado de dia 13 não era previsível, o mesmo já não aconteceu com outras eleições do género em diferentes partidos. O que tornou previsível tal ocorrência deveu-se, também em parte, à ausência de particulares e significativas discussões ao longo da campanha. Tratou, a dita, de substância pouco incisiva, rodeando apenas de forma muito breve o posicionamento do PSD para 2019 e temas pontuais como descentralização e o financiamento partidário arrastado pela polémica da lei à alteração do actual quadro. Pouco ou quase nada se discutiu para além disto, excepto, as “trapalhadas” de Santana e a posição de Rio a tal – bem como, qual dos candidatos se portou melhor ou pior com atual direcção.  A certa altura, pareceu estar em causa não o futuro do partido, mas sim o passado. Em que aquele que mais mérito reconhece-se a herança de Passos se tornaria no candidato ideal. Não houve qualquer tipo de avaliação crítica e muito menos apresentação de estratégia para evitar uma vitória do Partido Socialista em 2019. Uma campanha que sou a poucochinho.

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