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Chega de ponderações, a A23 não pode parar!

Portugal enfrenta graves problemas ao nível da disparidade territorial. O interior do país (notando sempre a ironia de aplicar a designação “interior” a um país que possui cerca de 200km entre a sua costa marítima e a fronteira com Espanha) não consegue acompanhar o ritmo de evolução e qualidade de vida das populações do litoral. Os sucessivos governos teimam em ser levianos para com as dificuldades daqueles que habitam fora do eixo Braga-Lisboa, como se de outro país se tratasse. O poder de compra de um cidadão da Beira Interior é estimado como 1/5 do de um habitante da zona de Lisboa. É lamentável observar como, num país territorialmente tão pequeno, se consegue atingir uma disparidade tão acentuada entre os vários segmentos da sua população: um verdadeiro caso de “cidadãos de primeira e de segunda”.

Não obstante o já complicado dia-a-dia das populações do interior, eis que o governo socialista, aquele que nos enche de notícias do fim da austeridade e que se diz tão próximo do povo, decide dar os portugueses uma espécie de presente envenenado para o ano novo. Desde o dia 1 de Janeiro, os utentes das autoestradas portuguesas tiveram de se acostumar a um novo aumento do preço das portagens. Pois sem surpresas, este aumento castiga sobretudo os utentes das ditas autoestradas da coesão.

A JSD Distrital de Castelo Branco bateu-se, desde a primeira hora, pela redução do preço das portagens no interior, nomeadamente na A23 – Autoestrada da Beira Interior. Prova disso foi a moção apresentada ao XXIV Congresso Nacional da JSD, “A23 – Uma Via para o Desenvolvimento do Interior”, na qual apelámos a uma redução de 30% do preço das portagens. No fundo, nada do que relembrar ao Partido Socialista algumas das suas promessas da campanha legislativa de 2015, na medida em que os argumentos de coesão territorial que levaram à construção da A23, ainda no século passado, continuam válidos em 2018. Se é um facto que o troço que mais encareceu com esta atualização foi o de Lisboa-Porto (A1), é ainda assim importante ressalvar que existem inúmeras alternativas à A1, não se verificando uma única alternativa que complete todo o troço da A23.

A JSD Distrital de Castelo Branco vem, assim, mostrar a sua perplexidade e descontentamento por mais uma situação que castiga, sem fundamento, os habitantes do interior de Portugal. Apoiamos assim todas as iniciativas que visem harmonizar os custos das autoestradas da coesão, como é o caso do voto de indignação aprovado pela Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela no passado dia 16 de Janeiro. Relembrando que a defesa dos interesses do interior de Portugal deve ser transversal a todos os quadrantes da sociedade, apelamos às diferentes forças políticas e sociais que se juntem a nós como voz de indignação por este aumento absurdo. Se no passado assistimos a convictas manifestações por parte do PS, BE e PCP contra as taxas praticadas na A23, A25 ou Via do Infante, é agora importante vincar que a grande preocupação de todos é para com os cidadãos portugueses, e que não somos apenas movidos pela vontade de denegrir um governo que não é da nossa cor política.

Deixamos uma última palavra para o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas: o Ministro Adjunto, Pedro Siza Vieira, após Conselho de Ministros, veio a público afirmar que “o [seu] Ministério está a fazer essa avaliação [de que o aumento das portagens castiga mais o interior do país], sempre no sentido de contribuir para a competitividade da atividade económica no interior, na medida em que o objetivo do Governo é incentivar o investimento, como forma de criação de emprego e retenção e atração de populações. Essa é uma ferramenta que o Ministério do Planeamento e Infraestruturas está a ponderar”[1]. Senhor Ministro, com todo o respeito, dificilmente se poderá percecionar outra coisa que não amadorismo perante o facto de, ainda nesta altura, se perder tempo com “ponderações”. É sabido de todos, ou pelo menos daqueles que se interessam por tal, que qualquer aumento das portagens terá muito provavelmente um impacto mais significativo no interior que no resto do país. Numa próxima ocasião, não vale a pena o Ministério da tutela estar a perder tempo com ponderações; basta perguntar à JSD Distrital de Castelo Branco que nós teremos todo o gosto em ajudar nesta matéria. Aquilo que nos move é única e exclusivamente a defesa do bem-estar e interesses da nossa população, doa a quem doer!

[1]                https://www.tvi24.iol.pt/economia/precos/governo-avalia-reducao-de-portagens-para-o-interior-do-pais

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