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Infelizmente, temos neste momento a possibilidade de escolher o futuro da nossa floresta!

Depois do dia “atípico” que foi o 15 de Outubro, o interior voltou a marcar presença na discussão da comunicação social, mas mais uma vez pelas piores razões, voltaram os comentários acerca de tudo o que falhou, sobre as condições da então ministra da administração interna para continuar no cargo, demissões etc.

Como comentam, estes incêndios destruíram imensa floresta, casas, famílias, empregos… Mas pouco ouvimos falar acerca do futuro. O que será dos jovens que aí vivem? Como subsistiram daqui a alguns (poucos) anos as famílias que vivem direta ou indiretamente da floresta?

Em regiões, em que a economia local depende quase na totalidade da floresta, tornam-se questões pertinentes. Pois os jovens deixaram de puder optar por se fixar nestas regiões, não terão facilidade de prosseguir os seus estudos e acaba-se por continuar a contribuir para uma população envelhecida, cada vez mais pobre e com menos qualificação, e daqui a um curto prazo de tempo teremos um aumento significativo da taxa de desemprego local.

Para além das questões económicas e sociais anteriormente identificadas, se nada for feito, em breve haverá mais catástrofes. Temos uma área desmesurada afetada pelos incêndios, que se encontra hoje completamente desflorestada e sem capacidade de retenção de água e sedimentos, o que inevitavelmente é uma variável considerável para eventuais cheias que daí advêm, e que afetarão as zonas ribeirinhas e as pessoas que nelas habitam. Não esquecendo que uma das bacias hidrográficas mais fustigada pelos incêndios deste ano foi a bacia hidrográfica do Tejo, na qual se insere o efluente Zêzere que abastece a capital do país a partir da barragem de Castelo de Bode, e que verá a qualidade da sua água afetada, podendo gerar problemas de saúde publica se não forem tomadas medidas preventivas e ajustadas no tratamento das mesmas.

Mas o que está a ser feito para evitar tais danos? Não será altura de começarmos a pensar, também, nos problemas a longo prazo destes incêndios?

Se a maior variável da economia local nestas regiões é a floresta, temos de a tornar atrativa e sustentável para garantir um futuro aos jovens, principalmente através da diversificação da exploração da mesma. E para garantir a sustentabilidade económica de determinada propriedade florestal, a mesma tem de possuir uma área considerável, de forma a que a referida diversidade se possa introduzir, sendo indispensável o emparcelamento dos minifúndios. E se há algo bom que se pode retirar dos incêndios ocorridos é a facilidade com que neste momento se pode agilizar um conjunto de mecanismos como a organização florestal das espécies a introduzir, o levantamento e cadastro e o emparcelamento.

No entanto a recessão da economia local não se fará sentir apenas na fileira industrial, mas também em algumas áreas indiretamente relacionadas com a floresta que tinham vindo a afirmar-se como motores indispensáveis para o crescimento da região, como é o caso do turismo, que sofreu uma quebra expressiva desde a primeira instância e que os efeitos progredirão a longo prazo se nada se alterar quanto à “paisagem” que serve de sustentáculo ao turismo da região.

Infelizmente, temos neste momento a possibilidade de escolher o futuro da nossa floresta! Mas esse futuro não está de forma alguma assegurado com as escolhas e medidas tomadas pela atual governação. Temos um tão popular cadastro “simplificado” que de simples, rápido e fidedigno não tem nada, cada processo demora bastante tempo a submeter e a sua precisão é suspeita, uma vez que o mesmo se realiza na sua totalidade num gabinete, sem requerer uma visita ao terreno para uma melhor e mais precisa marcação da propriedade. Assim sendo, a este ritmo só daqui a largos anos é que teremos o cadastro de um concelho como o da Sertã.

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