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Esta é a vez do Interior

Olhar para o Portugal de hoje, deste 2017, configura um exercício um tanto ou quanto desconcertante. Sou manifesto utilizador da metáfora do “copo meio vazio ou meio cheio” e para o exercício em questão, não sendo exceção, começo por fazê-lo porque me parece também que essa é a recorrente filosofia com que se têm encarado os temas recentes da vida política nacional.

Somos mais o país da conjuntura económica favorável, da distribuição de riqueza, da bonança social e da entropia tecnológica e de inovação? Ou somos mais o país do subfinanciamento da Saúde, dos “aspetos cómicos” da Defesa e da ruralidade interior que ainda hoje respira as cinzas de uma combustão que a Administração Interna não conseguiu anular? Dê por onde der, veja-se de que perspetiva for, o que é certo é que somos transversalmente o país das mobilizações e transformações que só vêm verdadeiramente na resposta ao desconcerto máximo. Aí, atrevo-me a dizer que, até ver, o copo está mesmo entornado. Seja ou não consequência de um qualquer traço enraizado na nossa cultura social, vivem-se certamente tempos de constatar que os portugueses merecem mais, o território merece mais. Mais comprometimento, mais iniciativa, mais envolvência, mais implementação, mais eficácia, mais progresso. É, de facto, um copo grande de encher. Pois bem, é premente que comecemos todos por algum lado.

Esta Distrital escolheu, pois, naturalmente, começar pelo que já leva muito tempo à espera. Pelo que vem sendo adiado, subestimado. Esta tem que ser a vez do Interior. É crença minha, é crença desta estrutura e será certamente crença de todos quantos tenham no Interior um pouco de si e vejam no Interior muito do potencial de dinamismo e evolução de que o país precisa para ser, simplesmente, mais.

Foi esse o desígnio com que partimos para o desafio global deste mandato e foi essa a postura que culminou na génese do Projeto Político que recentemente apresentámos e através do qual assumimos o compromisso de prestar uma abordagem ampla, exaustiva e integrada perante todos os elementos que definem e sustentam a “cultura organizacional” desta nossa região e, a partir daí, repensar construtivamente modelos alternativos que permitam ir mais além na potenciação do Interior enquanto protagonista relevante do futuro do país.

Qual, afinal, a estratégia nuclear para a dinamização económica da região? Como se consegue, de uma vez por todas, ordenar o território em favorecimento do aproveitamento sustentável dos recursos florestais, agrícolas e geográficos? Em que moldes explorar a revigoração dos mecanismos de fixação de mais jovens, mais famílias? Por onde tem fundamentalmente que passar a otimização da prestação de cuidados de saúde? São de facto muitas, e complexas, as questões que se colocam entre o hoje e o amanhã que queremos construir e no qual, pela responsabilidade de cidadania que nos assiste, queremos deixar uma marca.

A resposta para muitas delas certamente compreenderá uma escala de intervenção que nos transcende. Algumas ficarão até, eventualmente, por responder. Mas começámos por algum lado. Pela valorização do Distrito, pela promoção do debate estrutural dos tantos desafios que a verde paisagem encerra, pelas voltas aos quatro cantos da nossa recatada fatia do Portugal rural, pela participação construtiva com o cunho de uma juventude que tem ganas de fazer mais, diferente, melhor. De Vila Velha de Ródão a Belmonte, da Floresta ao Turismo; andaremos por aí!

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