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Do êxodo Rural aos Grandes Incêndios Florestais…

Na segunda metade do século XX assistimos a um acentuar êxodo rural que veio aumentar as assimetrias regionais associadas à migração da população camponesa para a faixa litoral, em especial em torno das grandes cidades de Lisboa e Porto.

 A população camponesa começava então a procura por melhor qualidade de vida nas áreas urbanas, por maior oferta de empregos, acesso aos serviços de saúde, serviços de educação, acesso a saneamento básico, entre outros serviços que nos meios rurais não se encontravam com tanta facilidade. Começou então a mecanização do campo, com o afastamento da população do campo, mesmo a que habitava no meio rural, pela procura por melhores condições de vida, por melhores salários, associando-se ao setor terciário e às industrias de forma a obter melhores salários que permitiam à população continuar a viver no campo mas sem depender apenas dele.

As mudanças socioeconómicas, refletiram-se no estilo de vida das populações, que começaram a afastar-se do campo e da floresta, o que se traduziu num aumento de grandes áreas de terras agrícolas e florestais abandonadas, em que muitas das quais se tornaram paisagens propensas à ocorrência de incêndios de grande intensidade, devido aos elevados níveis de biomassa, acumulados ao longo dos anos e prontos para alimentar fogos catastróficos durante o Verão.  Com os grandes incêndios florestais a aumentar em frequência e extensão, chegando em 2003 a existir 9 incêndios com área ardida> 10000 hectares (Flora:2011), tomando, por vezes, dimensões catastróficas, perdeu-se o seu importante papel enquanto renovadores dos ecossistemas, começando então a intensificar-se o crescimento desordenado da floresta pois, o afastamento dos proprietários florestais começava a intensificar-se bem como a recorrência dos grandes incêndios.

Agora nós, a Zona Centro do país, que tanto é fatigada pelos incêndios florestais, em concreto o concelho de Mação, um concelho em que a população viu arder mais de 120% da sua área florestal entre 2000 e 2005 e que passados cerca de 18 anos voltou a ver o concelho a ser consumido pelas chamas, ardendo entre 70% a 80% do território num só verão.

O que podemos fazer para combater a recorrência destes incêndios de grandes dimensões? Como podemos gerir a carga de biomassa que se encontra nas nossas florestas que crescem de forma desordenada? Conseguiram os proprietários florestais retirar rendimentos suficientes para continuarem a investir numa floresta que arde com tanta recorrência?

É preciso tomar medidas na floresta, esta tem de ser intervencionada de forma a reduzirmos a recorrência dos grandes incêndios florestais, os jovens têm de voltar a sentir-se seguros no Interior, não podemos simplesmente abandonar a floresta porque esta mais dia, menos dia volta a arder.

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