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Como (des)governar Portugal

Olá a todos.

Como sabem, infelizmente Portugal atravessou um período crítico de incêndios, em que foram perdidas vidas, bens, empresas. Esta calamidade, exclusiva de Portugal nestas proporções, é resultado de decisões mal tomadas e de uma má gestão de recursos humanos, sendo também, como é óbvio, causada pela ausência de reformas estruturais que deveriam ter sido feitas. Pois bem, não foram.

Mas como a culpa não pode morrer solteira e as responsabilidades não são apenas de quem as assume, é imperioso reconhecer que este Governo teve uma atitude absolutamente passiva relativamente a este flagelo.

Recordo: após os lamentáveis acontecimentos de Pedrogão Grande, a primeira coisa que o governo da extrema-esquerda fez foi criar um focus group para saber se a popularidade deste tinha ou não caído. É inadmissível, incompreensível que um governo, perante 64 mortes em circunstâncias assustadoras, se preocupe com a sua popularidade, em vez que dar prioridade a quem perdeu tudo, sem culpa.

A senhora Ministra da Administração Interna, a quem devo alguma sensibilidade, visto que não teve férias (coitadinha), não se demitiu após o primeiro acontecimento trágico, pois o nosso Primeiro-Ministro não eleito (convém relembrar) não quis que ela o fizesse, fazendo pressão para que a senhora, sem condições políticas nem provavelmente psicológicas, se mantivesse.

Passados quatro meses, voltou a acontecer o inesperado: dia 15 de outubro o país todo foi Pedrogão Grande, perderam-se mais de 40 vidas, ao que tudo somado dá 110 mortes.

Eu agora pergunto: afinal que Estado é este que não garante o fundamental – a vida, a segurança. Em que país estamos? Como é possível haver 110 mortos em apenas 4 meses, e termos ainda um Secretário de Estado a dizer que “as populações não podem estar à espera que os bombeiros cheguem”? Como é possível termos uma ANPC completamente desorientada, sem capacidade nem competência para assumir o seu papel de orientação dos bombeiros, os heróis da paz? Como é possível termos um sistema de comunicações (SIRESP) que nos custou 400 Milhões de euros e este não funcionar?

Pertencemos a um Estado que não respeita as pessoas, as suas vidas, os seus bens.

Impressionou-me a forma arrogante e banal com que o Sr. Primeiro-Ministro disse, em resposta a uma jornalista, que “isto vai voltar a acontecer, garanto-lhe”. Afinal, é para isto que serve um Primeiro-Ministro. Que governo é este?

No lado oposto, temos, no entanto, um Presidente que, embora não seja incriticável, tem sido a última esperança de quem sofre. Um Presidente humano, ao contrário dos nossos governantes.

Passando à frente. No passado dia 24, o CDS apresentou uma moção de censura, que legitimamente teve o voto favorável do PSD. Ao contrário do que a extrema-esquerda e o Partido da Bancarrota (PS) dizem, esta moção serve para dar voz a milhões de Portugueses que acham que um governo que deixa que 110 pessoas morram merece uma censura. Aproveitamento político? Não. Aproveitamento político é o que os senhores comunistas e bloquistas, bem como os Verdes e o senhor dos animais fazem ao serem hipócritas e votarem contra uma moção de cesura apenas com o objetivo de continuarem a ter algum poder. Isso, sim, é aproveitamento político.

Em suma, devo dizer com toda a franqueza, que não acredito que este governo se aguente até depois das próximas eleições. As pessoas estão a começar a abrir os olhos, estão a começar a perceber que a geringonça afinal não funciona e que, inclusive as suas vidas, estão em risco. Esperemos pacientemente pela lucidez do povo e, até lá, cá estaremos nós para salvar o país, mais uma vez.

Abraço sentido a todas as famílias que perderam alguém, muita força.

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