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O diabo chegou ao interior

O país ardeu, o interior ficou preto e destruído. Um governo incompetente e negligente decidiu mudar toda a estrutura da proteção civil a escassos meses do verão mais perigoso dos últimos anos. A massa combustível é cada vez maior, previa-se um período de seca extrema, temperaturas altas e muito calor. Estava tudo escrito muito antes de julho.

Era o ano em que menos se deveria arriscar, era este o verão onde os mais experientes deveriam estar no terreno. Alguém decidiu arriscar e mudar tudo, nomeando incompetentes, comandos pouco experientes, onde o principal capital exigido era o cartão socialista.

O desordenamento do território tem anos e exige mudanças profundas, esta é, pois, a oportunidade para corrigir o desequilíbrio entre o interior e o litoral. Esse deve ser o principal desígnio daqueles que, como nós, vivem e respiram o interior de Portugal.

Outra das matérias que nos deve preocupar é a desproporcionalidade nos apoios às regiões afetadas por estas tragédias. Não podemos permitir que o governo e a CCDR-Centro esqueçam os concelhos onde felizmente a tragédia não causou vítimas mortais. Entre Pedrogão e os fogos de há 15 dias nos distritos de Viseu, Guarda, Coimbra e Aveiro, arderam ao longo do verão centenas de milhares de hectares, arderam casas, empresas, hortas e propriedades de pessoas que também precisam de ajuda. O apoio do Estado não pode apenas correr atrás dos holofotes das desgraças e das mortes que ocorreram.

Esta é também a oportunidade de exigir pactos de regime em torno desta questão. Quer no que diz respeito ao ordenamento do território, e onde o governo não pode ficar refém do BE do PCP, mas também no domínio da proteção civil. Precisamos de políticas a 10-20 anos e essas não podem ser feitas por um partido só.

No passado fim-de-semana, o governo decidiu tudo sozinho, sem ouvir mais ninguém além da comissão independente. Felizmente o PSD, mas também o CDS, apresentaram propostas e ideias, além de muita disponibilidade, para participar construtivamente neste esforço. Mas caros amigos, nenhuma destas reformas terá sucesso sem trazer maior presença ao interior, mais atividade económica e mais população. O problema vital de é mesmo o despovoamento de uma faixa enorme do interior do nosso país. Temos que fazer entender que a nossa Constituição também se refere ao território e não apenas às pessoas.

O país tem que decidir se quer ou não ser responsável por todo o território de Portugal ou apenas pelo litoral. Sugiro-vos um exercício hipotético. Se o Estado Social existe para compensar as desigualdades entre as pessoas, e garantir que todos têm igualdade de oportunidades no acesso a serviços básicos de extrema importância, como por exemplo a saúde e a educação, o Estado deverá também olhar para o território e com a sua intervenção garantir a supressão das fragilidades que resultam da pouca densidade populacional e, consecutivamente, da falta de atividade nestas regiões.

É este o caminho que devemos prosseguir se queremos evitar que tragédia semelhante volte a acontecer. Mais do que nunca não nos podemos calar.

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