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Brincar às Casinhas

Creio cada vez mais que a sociedade portuguesa sente nostalgia dos tempos da creche.  Parece que sente saudade de ouvir os contos populares ou fábulas que toda a gente conhece, como a “História da Carochinha” ou o “João pé de feijão”.

 É que ultimamente parece que ver a desgraça, sentir o medo, viver o perigo e no fim ouvir a moral da história virou rotina e tornou-se em algo super divertido. Mas bom como é tão engraçado, vamos ouvir:

“A história dos três porquinhos”

Quem não recorda esta história sobre três irmãos em que cada um decide construir a sua própria casa (o mais novo com palha, o do meio com paus e o mais velho com tijolos). Durante o processo, os mais novos são avisados de que o material utilizado não é capaz de resistir ao lobo mau mas mesmo assim decidem que eles é que sabem o que é melhor. Mais tarde o lobo aparece e destrói a casa dos mais novos tal como o irmão mais velho tinha previsto, deixando a do irmão mais velho intacta por ser de material sólido e acaba até por desistir.

Bom a moral é supostamente que devemos trabalhar para atingir o sucesso e eu acho que devemos também tirar desta história que o mal não acontece só aos outros mas também a nós porque afinal, quem anda à chuva molha-se. E tanto se molha que aconteceu exatamente o mesmo com os portugueses no verão e durante este tão quente mês de Outubro.

O IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera) alertou inúmeras vezes sobre o risco de incêndio dado o calor intenso vivido, e a minha pergunta no meio disto tudo é: quais as medidas de prevenção tomadas?  Alertar a população para não fazerem queimadas para não ocorrerem acidentes? Concordo que de facto é um bom conselho mas… E que tal a prevenção que cabe ao estado e às entidades próprias? Infelizmente “ o conhecimento florestal é o soldado raso no teatro de operações.” (In “Público” por Ana Fernandes , 18 de Junho de 2017 https://www.publico.pt/2017/06/18/sociedade/noticia/o-que-e-que-falhou-no-sabado-tudo-como-falha-ha-decadas-1776101).  E o pior no meio disto tudo, é que o problema não é de agora nem de à 10 anos atrás. Este problema tem anos e anos de “presença no terreno” e nunca, mas nunca mesmo foi resolvido. A solução é sempre imediata, apenas tapar os buracos causados na economia da atualidade, tentar ajudar quem perdeu o trabalho de uma vida inteira, e tentar acalmar os ânimos. Será que é mesmo necessário isto acontecer todos os anos?

Creio que até já deve existir um discurso planeado para todos os anos em que há acidentes destes e que é só preencher os espaços com os dados atuais porque todos os anos se repetem frases chave, tais como:

– “Pois é, mas durante o mandato do senhor ex-Primeiro Ministro (inserir nome aqui), também ninguém se preocupou com nada disto.”

– “Lamentamos as (inserir número exato aqui) vítimas mortais que resultaram deste desastre ambiental e decretamos 3 dias de luto nacional.”

E provavelmente até já as notícias são as de à não sei quantos anos atrás, sendo apenas necessário mudar alguns dados e uns pontinhos e vírgulas.

Será que as desgraças que aconteceram até agora são assim tão poucas para que não se perceba o risco em que nos encontramos? Não podemos parar de atirar nomes ao ar como foguetes e esperar que caia no nome de algum partido e ele que tome as culpas, e tomar antes as rédeas desta situação que já se prolonga à tempo demais e finalmente tomar uma decisão acertada? Não é tempo de dizermos que o culpado foi o outro e não fazermos nada; é tempo de crise, é tempo de nos juntarmos todos e lutar pelo bem comum!

Deixo aqui apenas o meu apelo para os portugueses:

A história do “Pedro e o Lobo” é muito gira, especialmente em inglês e em cassete, mas vamos deixá-la ser apenas isso: uma história, e viver o presente, encarar a nossa situação, e lutar de uma vez por todas pela mudança!

 

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