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Sem rede… volte à casa de partida: O pior cartão de visita de sempre!

Os jovens residentes em distritos do interior de Portugal mostram determinação e empenho de serem os artesões do seu futuro, de serem dinâmicos, sempre com vontade de ajudarem os mais necessitados, de participarem, tudo em prol de um território de referência.

A juventude de hoje em dia procura construir um modelo de sociedade aberta e transparente com todos os Portugueses, devendo para tal apresentar um conjunto de ideias e propostas para o futuro do nosso território de baixa densidade e de Portugal através da nossa representatividade associativa juvenil ou até através da sua militância em juventudes partidárias.

Atualmente, são muitos os entraves tecnológicos que os jovens encontram para estudar, fomentar o próprio emprego, obter casa e estabelecer família. Ainda há muito a atingir e é com este pensamento que a juventude no século XXI terá que elaborar a sua ação política, o debate e análise das dificuldades dos jovens, através da exposição de propostas e de soluções para a resolução dos seus problemas e para o progresso do território que nos dias de hoje se encontra isolado, sem rede.

Todos se lembram certamente do brilhante slogan do Turismo de Portugal, “vá para fora cá dentro”, slogan este que não foi possível ser acompanhado pelo avanço das tecnologias. Como é praticável a um turista estrangeiro ou não, conseguir tecnologicamente auxiliar a sua visita durante as suas férias em freguesias rurais onde o display do seu telemóvel teima em mostrar as seguintes palavras: Sem Rede.

No ano de 2016 mais precisamente em Março a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) decidiu impor à MEO, NOS e Vodafone obrigações adicionais de cobertura de banda larga móvel do território nacional, na sequência da renovação das licenças destes operadores por mais 15 anos. Assim, esta Autoridade aprovou uma lista de 588 freguesias potencialmente sem banda larga móvel (BLM) que terão de passar a ter este tipo de cobertura.

Um dos problemas está identificado e no próximo ano as licenças das operadoras vão ter que ser renovadas, espero eu com o aumento de cobertura prometido concluído no que toca à internet de banda larga móvel. Mas não era este o momento de resolver o cerne da questão? É ou não é injusto ao utilizador pagador independentemente do operador que contratou em certas partes do território português só conseguir fazer chamadas de emergência?

Centenas de freguesias do interior do país e não só, têm sido prejudicadas nesta questão, dou um exemplo do meu distrito que é Vila Real, em que Santa Eugénia, freguesia do concelho de Alijó avançou com uma petição que pode ser lida aqui,  e que foi entregue a 9 de Junho de 2017 na Assembleia da República. Transcrevendo o que foi noticiado no jornal Público a 27 de Junho de 2017 relativamente a esta petição: [Os moradores da freguesia dizem-se “limitados nos seus direitos ao acesso às comunicações eletrónicas como serviço universal”, seja para utilização pessoal, seja para “corresponder às exigências que decorrem da actividade das empresas” ali existentes, pedindo por isso o auxílio do Parlamento e do Governo na defesa deste seu “direito constitucional”].

Dando outro contexto a esta realidade, eu próprio em certos momentos da campanha eleitoral referente às autárquicas 2017 dava por mim a tentar contactar a comitiva que acompanhava o candidato à câmara e a não conseguir por me encontrar em freguesias rurais que não têm cobertura de rede tendo que voltar para trás, quase à casa de partida para conseguir estabelecer uma chamada audível ou uma mensagem entregue ao destinatário.

É a hora de agir! Os presidentes de municípios juntamente com os presidentes de junta das freguesias afetadas têm que, através da voz dos deputados da Assembleia da República referentes aos seus círculos eleitorais fazer ouvir as suas preocupações relativamente a este problema e exigir ao governo central e à ANACOM que as operadoras com licença em Portugal resolvam esta questão que na minha opinião é o pior cartão de visita de qualquer território português nos dias de hoje.

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