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874 anos de Portugal

Na passada quinta-feira, boa parte da população portuguesa não trabalhou nem teve aulas. A esmagadora maioria poderá dizer-nos que foi graças ao feriado de 5 de Outubro; boa parte dir-nos-á que foi devido às celebrações relativas à Implantação da República. Mas será que alguém se lembrou de desejar feliz aniversário a Portugal?

 

Em 1143, 874 anos antes de toda esta azáfama pós-autárquicas, Afonso Henriques dirigiu-se a Zamora – na atual Comunidade Autónoma Espanhola de Castilla y León – e assinou, juntamente com o primo Afonso VII de (Leão e Castela) o Tratado de Zamora.

 

E durante anos, perante a dupla face negocial do Cardeal Guido de Vico, Portugal foram terras e não reino no seu sentido mais puro. Defendem alguns historiadores que Afonso Henriques estaria a ser enganado -a favor de Castela – mas que as 4 onças anuais também nunca chegariam ao Vaticano. É que esta “independência” era bastante limitada: Afonso Henriques era rex, mas ao primo Afonso VII continuava a dever-se vassalagem. Afinal, ele era o imperador da Hispânia.

 

Finalmente, em 1179 – e após muita insistência junto do Vaticano – o Papa Alexandre III chama a si os termos de vassalagem. Isto tudo através de um documento com um nome bonito: Bula Manifestis probatum. Ou seja, aqui sim, abandonamos finalmente mãos castelhanas e aceitamos oficialmente a lei de Nosso Senhor Jesus Cristo. E Portugal é finalmente dos portugueses.

 

E porque vos trago eu o Tratado de Zamora para reflexão? Para relembrarmos que a nossa História começou graças a um tipo teimoso e chato. Tão teimoso que haveria de conquistar mais de metade do nosso atual território continental. Tão chato que nem o Papa quis adiar mais a Independência.

 

874 anos depois, o pequeno Condado já foi de Reino a República. Já passámos por uma Ditadura e agora vivemos em Democracia.

 

Winston Churchill diria que “A democracia é a pior de todas as formas de governo, excetuando-se as demais.”. Ouso acrescentar que todas as formas de governo são piores quanto maior a inércia do povo que vive sob elas. Uma democracia onde nos demitimos, sequer, de votar, é uma democracia pobre. Uma democracia fraca. Uma democracia de peixe de aquário (de curta memória) e que empreende contra si própria.

 

E lá vem outra citação, desta vez de Platão, que nos diz que “O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior”. Creio que demais explicações serão redundantes.

 

Vivemos no ano do Senhor de 2017. E Portugal há-de continuar a ser dos Portugueses. Os Tratados lá estarão na Torre do Tombo – ou noutra estrutura análoga. A prática, o ser português está em todos nós. Em quem carrega o sangue lusitano nas veias, em quem fez de Portugal sua casa e em quem abraçou a Nação. Há que ser teimoso e chato, sendo sempre cidadão!

 

Viva Portugal! Feliz aniversário Portugueses!

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