Blog

Quando a realidade tirou o tapete a Pedro Passos Coelho!

Entre a vitória histórica do PS e a derrota histórica do PSD, as manobras na São Caetano à Lapa adensam-se por estes dias e a dança dos candidatos a candidatos à liderança é reflexo do estado a que o partido chegou, muita gente e poucas ideias. Pois parece-me que desde há uns dias a esta parte não há ninguém que ainda tenha dúvidas de que chegamos definitivamente a um ponto de rutura. O PSD, que foi em tempos um partido com uma larga implementação autárquica, está hoje reduzido a apenas 78 municípios. E não nos venham dizer que a responsabilidade de tal circunstância é unicamente devida à fraca prestação dos candidatos em causa, que apesar de o ser em parte, este é antes de mais um problema de selecção, organização e boa estratégia na organização das listas e respectiva aprovação. Algo que a actual direcção nacional não soube ter em devida conta e preferiu deixar o barco andar à deriva na ânsia de que de um momento para o outro a má prestação macroeconómica atirá-se o PSD para a vitória. O Diabo chegou e não foi para o PS.

Recuperando as palavras de Cavaco Silva na Universidade de Verão do PSD deste ano, a realidade tirou o tapete a Pedro Passos Coelho, a grande parte da sua direcção e a muita gente que aguardava por uma derrota mais suave. De facto, a noite de 1 de Outubro provou muito bem que para um líder que tem a cabeça a prémio evitar leituras nacionais de resultados locais é um esforço condenado ao fracasso, ainda para mais quando se deixou o dossiê ao abandono e se assobiou para o lado enquanto uma das principais candidaturas se afundava de dia para dia. Há, apesar de tudo, que fazer as devidas considerações, para tal há que olhar para o facto de que, inequivocamente, as coisas estão a correr bem ao PS. É a vida. Significa isto que o PSD não deve: 1) estar constantemente a olhar para trás e a incorrer no discurso do “eles estão a copiar tudo o que nos fizemos, isto é mais do mesmo” quando as coisas correm bem e as manchetes enchem-se de elogios do exterior e cantarolar a conversa do “eles estão a fazer tudo mal, estão a levar o país contra a parede. O Diabo vem aí…” quando alguém lá de fora faz uns alertas. Uma oposição que se deu ao ridículo de ultimar em 24h o Governo a publicar a lista das vítimas dos incêndios em Pedrogão Grande, quando tal não era da responsabilidade do Governo, acusando este de estar a esconder os números verdadeiros. Mesmo que dias antes a Procuradoria Geral da República, em comunicado, tenha confirmado o número de vítimas e informado que apenas estava em investigação um nome. Um caso a roçar o macabro que não terá produzido um único efeito positivo junto da já muito débil credibilidade da oposição laranja. Prova dada que a nova liderança da bancada foi um erro crasso e a evidência que poucos são os que estão dispostos a mudar. Pena que ninguém tenha seguido a sugestão de Manuel Tender no sentido de se procurar uma liderança com mais experiência e naturalmente, mais responsável. A realidade deu-lhe razão.

A campanha de Lisboa foi exemplar em mostrar o quão mal pode uma candidatura correr, do primeiro dia (a apresentação) ao último, não houve nada, mas mesmo nada que nos fizesse pensar: “Teresa Leal Coelho está a fazer uma campanha meritória”. Nada para além de silêncios constrangedores, desorganização e visitas a bairros sociais vazios, jornalistas a serem enviados para visitas fantasma e em estilo apoteótico, uma valente reprimenda presidencial. Sem ideais, com um cartaz que mais parecia ter sido arrancado de uma imobiliária de terceira categoria e com um slogan sonso. Tinha e continuo a ter Teresa Leal Coelho em boa conta, tenho é bastante pena que tenha jogado a sua carreira num combate que nunca foi o seu e que não tinha de ser. O caso de Lisboa revelou-se o mais grave e caricatamente, o espelho por excelência da prestação do PSD de Norte a Sul, salvo raras excepções (em especial em alguns concelhos do Distrito de Castelo Branco), nas autárquicas de 2017.

O contagio do PSD nacional aos vários PSD’s locais era evidente, os resultados mostram isso, de tal modo que a saída de Passos tornou-se inevitável a partir desse momento. Volta a dar não havia e das várias opções possíveis, esta é a mais sensata e, de certo modo, a mais justa. A agitação que se vive na São Caetano à lapa é notória da ausência de um candidato ideal para a próxima liderança, mais ainda bem, até 2019 o PSD terá um líder a prazo. A história só recomeçará depois…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *