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Afinal, o Sol não nasce para todos!

Agora que sabemos, nós Vilarregenses, que não entramos para o projeto-piloto de reflorestação, pergunto eu, o que nos distingue de outros?

O que distingue Vila de Rei do seu vizinho concelho da Sertã?

Bem vistas as coisas, ambos pertencemos ao Pinhal Interior Sul, pertencemos à mesma Comunidade Intermunicipal, ao mesmo distrito, enfim somos iguais. Para nosso mal ainda temos outro ponto semelhante, 2017 foi catastrófico para ambos no que toca a incêndios florestais. Sertã foi incluída, vai ter cadastro, Vila de Rei não, e será por isso uma ilha desorganizada no que meio de um território que se pretende que seja precisamente o contrário, pretende-se que seja organizado, limpo, reflorestado.

É revoltante, podia falar do que sinto, mas não se pretende que se confunda este texto com um texto de ódio.

Gostaria por isso de ver algumas coisas explicadas. Para mim, de preferência, com um desenho, como se fosse muito burro.

Gostaria também de saber o que tem a concelhia socialista do meu concelho a dizer desta decisão por parte do Governo. Bem como outras organizações partidárias.

Já agora, o que tem os deputados eleitos por Castelo Branco têm a dizer, não deveríamos ser todos defendidos por igual?

Será que o facto de ser a terceira vez que somos assolados por um incêndio de grandes proporções não tem nenhum peso na tomada de decisões destes senhores?

Consigo ver a diferença entre Vila de Rei e Pedrógão Grande. Consigo conceber certas justificações que diferem o meu concelho dos vizinhos. Não consigo perceber o esquecimento, a falta de cuidado para connosco. Somos nós?

2017, repetiu 2003 e 1986. Também as nossas gentes terrão de repetir o que fizeram. Lutar, reflorestar, ordenar, sempre do próprio bolso, desprovidos de qualquer apoio estatal.

Urge responder, urge mostrar a fibra da qual somos feitos, urge voltar a ser verde.

Até lá esperemos que tal como no fatídico domingo, 13 de agosto de 2017, em que um fogo vindo de Alvaiázere, passando por Ferreira do Zêzere não volte a atingir Vila de Rei, dizimando-a a cinzas e que foi andando por aí fora, destruindo a nossa paisagem.

Até lá resta ao Vilarregense apoiar-se um ao outro, ajudando aqui e ali, de modo a que quem precisa da floresta para viver possa sobreviver.

Resta, e precisa-se de coragem e força para que mais uma vez se possa seguir em frente.

Quanto ao projeto-piloto, pode ser escasso e merecia mais, mais do que ajudar na reflorestação dos concelhos afetados devia proteger, precaver, zelar para que outros não passem por este inferno. Se queremos bom vinho na mesa, a vinha não pode ser descuidada.

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