Blog

Um “tracinho” de rede, no cimo da pedra mais alta!

Hoje em dia, é impensável pensarmos que podemos viver sem o usufruto das novas tecnologias de que normalmente dispomos diariamente para as nossas tarefas diárias. Uma simples viagem de meia dúzia de quilómetros e, no seu término, enviamos uma sms ou ligamos às pessoas que nos são mais próximas a informar de como correu a nossa viagem.

Isto se a nossa viagem não terminar num lugar “remoto” do interior do país, onde um único “tracinho” de rede, no cimo da pedra mais alta que encontrarmos, é um autêntico desafio.

Sim, é isto que inúmeras pessoas procuram para passar as suas férias, afastadas de tudo e todos, numa perfeita simbiose com a natureza.

Mas, e se isto fosse norma? Se em todas as nossas férias não tivéssemos rede, não pudéssemos conversar ou partilhar as nossas magníficas fotografias. Ou se fosse norma nas nossas próprias vidas? E se, no dia-a-dia, a dificuldade de comunicar com quem queremos, recuasse para muito antes do século XXI? E se para além de uma simples mensagem de conversa corrida, o que precisássemos mesmo fosse ajuda médica imediata?

Pois bem, no século em que vivemos existem – felizmente ou infelizmente- inúmeras famílias que, quando viajam, têm a possibilidade de enviar uma simples mensagem a informar, mas essa simples mensagem será em vão, pois o seu destinatário, que ficou em casa, não a receberá.

A situação agrava-se quando estes meios de comunicação são a ferramenta crucial para pedir ajuda e o tempo uma variável importante. Hoje em dia ainda existem famílias no interior de Portugal cujo isolamento é tal que ficam privados de chamar uma ambulância ou qualquer outro meio de socorro em tempo útil!

Aldeias a inúmeros quilómetros dos centros de saúde mais próximos, cujo único recurso para as famílias que neles vivem, são os postos médicos, distribuídos pelas freguesias, para irem às suas consultas de rotina ou tratarem dos seus problemas de saúde pontuais. Estruturas que, como se pode ver, são do maior interesse e indispensáveis para estas pessoas, num interior envelhecido em que na sua maioria os cidadãos são idosos. Mas, estruturas estas que têm vindo, ao longo do tempo, a desaparecer ou a diminuir a sua qualidade de serviços por falta de médicos disponíveis para visitar as diferentes freguesias (por sobrecarga horária). É urgente inverter a situação. O interior precisa de fixar mais gente e mais jovens mas, acima de tudo, é necessário providenciar condições aos que cá existem para que perdurem!

Os estabelecimentos de saúde distribuídos pelos diferentes pontos do interior devem garantir uma maior proximidade às pessoas, bem como as diferentes entidades – Juntas de Freguesia e Municípios- devem continuar a ter um papel preponderante, e exigir, de uma vez por todas, ao Governo que olhe para nós, não apenas como paisagem, mas como uma metade do país que tem direito a ter as mesmas oportunidades que o restante!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *