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No vote, no gain!

Estalou uma nova polémica na sociedade francesa: foi lançada uma petição contra o estatuto especial de Primeira-dama, a ser atribuído a Brigitte Macron, esposa do Presidente Emmanuel Macron. Um estatuto que, per si, lhe dedicaria também uma fatia do Orçamento de Estado.

Ora, os franceses não concordam e eu também não. Na França como em Portugal, há situações inadmissíveis num Estado de Direito.

Se, por um lado, fazem avançar uma lei que impede a contratação de familiares de políticos em funções, atribuem, paradoxalmente, direitos extra alguém que também não foi eleito pelo povo.

A Nobreza Dinamarquesa também não se deixou ficar atrás: O príncipe Henrique da Dinamarca diz agora recusar-se a ser sepultado ao lado da mulher, já que não lhe foi atribuído o título de rei consorte. Não teremos portanto, na Catedral de Roskilde, rei e rainha eternizados lado-a-lado.

Só em Portugal parecemos não pensar muito nestes temas! E afianço que não são caso apenas para revistas cor-de-rosa. Afinal de contas, o Estado somos todos nós e estas decisões também nos cabem! Lá como cá!

Num “franquinho” paralelismo para o caso Português, caso esta “limpeza” fosse feita, Carlos César, Presidente do Partido Socialista, veria parte da família mais chegada ficar desempregada. E quem diz este Senhor, diz outros tantos por este país fora, independentemente da cor política.

Digam-me: quando é que fez sentido, simplesmente em termos morais, levar a família toda a atrás quando se é eleito para um cargo público e quando ninguém votou nesse sentido? Nunca. Mas, mesmo assim, os portugueses continuam a falar disto apenas à boca pequena.

Mais: pobre do Homem ou da Mulher que precisa do nome do cônjuge para chegar a algum lado, tendo capacidades intelectuais e “dois braços para trabalhar”! Felizmente, estamos no século XXI!

Caros amigos, a questão é bem simples: é só, no mínimo, injusto, sermos obrigados a pagar impostos cada vez mais altos, os nossos jovens verem as bolsas de estudo em suspenso à conta de cativações e ainda termos pessoas que não precisam da ajuda do Estado para sobreviver a enriquecerem à nossa conta.

Lá como cá, é hora de acordar para o que interessa. Lá como cá “tu vais ser a primeira-dama” mas não é o Estado, não somos nós todos, que temos de pagar o luxo alheio. No vote, no gain!

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