Blog

ZONA DO PINHAL SEM PINHAL?

Catorze anos depois, todo o inferno de chamas e cinzas vivido em 2003, tornou a abalar a Zona do Pinhal.

Durante o Verão de 2017, têm ocorrido inúmeros incêndios que têm devorado milhares de hectares de floresta por todo o país. A maior catástrofe ocorreu em Pedrogão Grande, onde 64 pessoas perderam a vida e que praticamente a totalidade da floresta deste e dos concelhos vizinhos foi dizimada pelas chamas.

Perante toda esta tragédia, pouco mais de um mês depois, a Zona do Pinhal foi abalada por vários incêndios num curto espaço de tempo. O maior incêndio registado teve origem no concelho da Sertã, onde terá sido dado como controlado, mas, numa questão de instantes, a situação descontrolou-se e o fogo avançou para os concelhos vizinhos de Proença-a-Nova e Mação, destruindo milhares de hectares que, nestes três concelhos, são igualmente a principal fonte de rendimento da população.

Passaram catorze anos e nada se fez ou se aprendeu com a tragédia de 2003: as matas cresceram por sua livre vontade, não houve qualquer intervenção e, na maior parte do território, não foi efetuada limpeza, organização ou controlo de espécies nos territórios que foram afetados pelos incêndios.

Não se conhecem proprietários, não há controlo de espécies, não há limpeza e, muitas vezes, não existem acessos para as viaturas de combate a incêndios em zonas de floresta mais densa. Consequentemente, foi criado ao longo dos anos, um clima perfeito para a propagação dos incêndios e, concludentemente, uma dificuldade acrescida ao seu combate.

Acresce a tudo isto, o facto de parte dos proprietários também não saberem onde se situam as suas propriedades, que foram herdadas dos seus familiares e que, em tempos, eram o seu “ganha pão”, que consequentemente são abandonas e desprezadas.

Estas questões, não podem apenas ser levantadas quando já tudo ardeu, ou quando entramos na fase critica dos incêndios (“Fase Charlie”), como já é habitual. A correta exploração da floresta e a sua organização, terá de ser trabalhada durante todo ano, pelas autarquias, pelas entidades de gestão florestal, unindo-se e trabalhando em conjunto com os proprietários das florestas, pois mesmo que alguns terrenos estejam organizados e limpos, os seus proprietários acabam por perder as suas culturas e seus investimentos na floresta, sendo então, um trabalho e um esforço que terá que ser realizado por todos.

A Zona do Pinhal tem um enorme poder económico, garantido centenas de postos de trabalho, sendo o sustento de muitas famílias e avalizando uma melhoria de vida a outras tantas. É que foi a floresta que garantiu a muitos dos nossos pais estudar, comprar ou construir uma casa e comprar um carro, e a nós jovens, que os nossos pais nos conseguissem financiar os nossos estudos.

Temos que intervir, exigir o cadastramento de toda a área e a sua limpeza para a segurança das nossas propriedades e da população e para evitar que mais catástrofes deste género voltem a afetar o nosso território. Podem mesmo ser disponibilizados, pelo Governo e pela União Europeia, fundos de apoio, tanto para a reflorestação de área ardida, como para a limpeza das áreas não afetadas pelos incêndios.

Não podemos tornar estas catástrofes em armas de arremesso ao Governo e, quando nos pedem soluções, assobiarmos para o lado, fingindo que não é nada connosco. Temos de apresentar soluções, projetos, debater ideias e, acima de tudo, não nos podemos lembrar da Zona do Pinhal apenas quando é devorada pelos incêndios.

TEMOS QUE UNIR EXFORÇOS E ERGUER DAS CINZAS A FLORESTA DA ZONA DO PINHAL.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *