Blog

Incêndios, cadastro, prevenção, SIRESP, eucalipto…. Posso juntar-lhe o planeamento urbano!?

17 de junho de 2017, é a data em que um pequeno país “à beira mar plantado“ ficou em completo estado de choque! O avassalador incêndio que assolou o norte do distrito de Leiria, nomeadamente os concelhos de Castanheira de Pera, Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos, trouxe para a ordem do dia a discussão sobre os incêndios florestais e tudo o que com eles se relaciona. Isto aconteceu não porque esta tragédia tenha sido uma exceção à regra, até porque infelizmente em Portugal, “floresta que é floresta, o que tem mais certo é que de tempos a tempos arde!”, mas pelo inacreditável número de vítimas mortais que provocou, pela falha gritante dos sistemas de prevenção e socorro, e pela perceção de um quase completo desnorte das autoridades responsáveis!

Nos dias seguintes muito se discutiu, leu e escreveu nos órgãos de comunicação social, nas redes sociais e em todos os demais meios de comunicação à nossa disposição. Das centenas de análises e comentários de “especialistas”, as palavras/soluções que são veiculadas vão quase sempre dar ao mesmo. O cadastro! A diabolização do eucalipto! O minifúndio! O emparcelamento! Toda a discussão sobre a produtividade/rentabilidade florestal! etc etc etc….

Todas elas são questões importantes e pertinentes, mas que na minha opinião deixam de lado o principal problema e a verdadeira razão pela qual alguns incêndios se tornam mais graves que outros, mais mortais e mais destrutivos. Refiro-me à péssima gestão urbanística que tivemos do nosso território durante muitos anos, onde era possível construir em quase todo lado. Esse fator permitiu que realidades como as que temos no Norte do meu distrito seja o traço comum de um país, onde no meio de vastas áreas florestais florescem pequenos núcleos de casas, completamente expostas à sorte, e terreno altamente fértil para novas tragédias humanas.

Mas se esta realidade da casa que floresce no meio da floresta é tão comum no nosso país e tão difícil/dispendiosa/utópica de resolver porque a trago à discussão? Para baralhar ainda mais? Não! Simplesmente porque neste caso em que muito foi destruído, e agora se procura reconstruir, considero ser a altura ideal para iniciar um plano de longo prazo, onde os proprietários lesados sejam apoiados mas simultaneamente incentivados a agrarem as suas habitações aos aglomerados mais próximos, para que em situação de catástrofe estejam mais protegidos.

Reconstruir por reconstruir como se está a fazer neste local, é por dinheiro em cima de um problema para o resolver no imediato, e simultaneamente assumir que vamos todos esperar que a sorte nos proteja e que outros fogos não voltem a evidenciar o perigo que é ter habitações espalhadas no meio da floresta. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *