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ENSINO TÉCNICO-PROFISSIONAL. PARA QUEM?

Não pode dizer-se que tenha já anos suficientes de vida para poder, a partir de vivências, caracterizar aquela que era a visão do ensino técnico-profissional há 30 anos atrás, momento a partir do qual este campo de aprendizagem é enquadrado no contexto do ensino secundário e mais tarde dá origem às escolas profissionais que datam até aos dias de hoje.

Não considero, no entanto, que as perguntas de há 30 anos, tal como se encontram descritas na literatura, se tivessem dissipado ou ganho outra forma. A quem é destinado afinal o ensino técnico-profissional? Que tipo de ensino é este e o que é que queremos que seja feito dele? Os mecânicos, os eletricistas, os pedreiros, os carpinteiros… vão acabar? Ou passarão a haver trolhas em cada uma destas áreas? Analisando todas estas e outras questões facilmente convergimos para a questão central: porque continua a sociedade a acreditar e a fazer acreditar que o ensino técnico-profissional é para uma espécie de segunda classe de pessoas? Fazendo uma retrospectiva daquele que foi o meu percurso enquanto estudante da última década e meia, desde o ensino primário ao ensino superior, a única vez que experienciei o que é um mecânico, um eletricista (…) em contexto letivo foi mesmo na escola primária, quando se coloriam os desenhos e se aprendiam as profissões.

Mais tarde vi também alunos com mais dificuldades cognitivas, de concentração ou simplesmente desinteressados ou desmotivados serem progressivamente atirados de forma aleatória para os cursos profissionais. Vi também chegar o momento das grandes decisões no fim do 9º e do 12º anos e não haver mais do que uma ou duas opções no imaginário de possibilidades de alguns… Como se pode entender uma vocação quando não conhecemos tão pouco as opções? Estas e outras questões têm levado, ano após ano e de uma forma geral, a que além de poucos, a qualidade dos técnicos venha sendo reduzida por falta de competitividade traduzindo-se este cenário numa quebra de qualidade deste tipo de ofertas pedagógicas.

Por sua vez no contexto do mercado de trabalho técnico cada vez mais é difícil para as empresas encontrarem mão de obra técnica qualificada o que, numa perspetiva mais alargada, se traduz numa perda de competitividade para as empresas, passando elas mesmo a ter de formar técnicos, e por sua vez para o país.

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