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Que JSD para os próximos 43 anos?

Este mês, a Juventude Social Democrata comemora 43 anos. Foram tempos de ambição, sonho e conquista. Foram anos de intervenção, luta e confronto com adversidades e obstáculos. Foram décadas de crescimento e estabelecimento de uma organização claramente marcada pelo contexto nacional e internacional que viveu.

Nestes 43 anos, a JSD afirmou-se simultaneamente como organização de formação e ação política e cívica. As vitórias da JSD devem-se aos milhares de jovens que, de forma completamente voluntária e altruísta, nela se empenharam.

Hoje, importa olhar para o futuro e perguntar se vale a pena continuar com a JSD e, acima de tudo, questionar como vale a pena continuar a JSD.

Acredito que a JSD será sempre o que todos os seus militantes fizerem dela e que nunca deverá ser aquilo que algumas cúpulas dela quiserem fazer. Não acredito numa JSD onde se instale o medo e/ou as primazias. Essa seria uma JSD que se limitaria a sobreviver.

Devemos ambicionar uma JSD viva, resultado da participação de todos, forte, interventiva e liderante.

No contexto histórico que vivemos, onde uma união das esquerdas transformou a realidade política de Portugal, a JSD não pode continuar imutável correndo o risco de ser ultrapassada pelos próprios tempos. Exige-se uma JSD que se modele, se transforme e se revolucione.

Sem esquecer o ADN de formação que tanto marcou a sua história, impera a necessidade de criar uma JSD verdadeiramente interventiva, que assuma causas e bandeiras com uma liberdade e intransigência sem paralelo.

Sejamos claros e honestos. Por múltiplos factores, que vão desde erros das próprias juventudes partidárias a preconceitos inconcebíveis que foram criados e mal contrariados, a generalidade dos jovens portugueses não olha para as jotas, nem para a JSD, com orgulho ou sensação de representação. O grande desafio da JSD passa por assumir a responsabilidade de liderar as causas da juventude portuguesa e de se afirmar como sua principal representante.

Para se afirmar, a JSD tem de se libertar das sedes, dos grupos fechados e das caixas de pensamento tantas vezes impostas e dominadas por interesses partidários. A JSD tem de olhar para a sua geração e liderar o sonho que a motiva.

A minha geração sonha com um Portugal em que possa viver, que, não se contentando com fracos resultados económicos e sociais, seja país líder no mundo global, capaz de fixar os seus jovens e de atrair pessoas de outras nacionalidades. Se é manifesto que esta não é a realidade, a JSD tem de ser baluarte na defesa de políticas certas capazes de conduzir o país a tal desígnio.

A minha geração sonha com um Portugal sem assimetrias regionais.  Se é óbvio que o centralismo falhou, a JSD tem de ter a coragem de assumir verdadeiramente esta causa, afirmando-se como principal motivadora, instigadora e defensora da descentralização e do aproveitamento de todo o território nacional.

A minha geração sonha com um Portugal com um sistema político diferente, mais livre e participado. Se é claro que o atual sistema político falhou na aproximação e representação entre eleitores e eleitos, a JSD tem de ter a audácia de liderar a sua transformação com perseverança e tenacidade na apresentação sucessiva de propostas concretas.

A minha geração sonha com um Portugal com maior igualdade de oportunidades. Se é evidente que a atual discrepância de rendimentos e riqueza em Portugal não é sustentável, a JSD tem de ter a ousadia de se assumir como principal inimiga desta realidade, enfrentando qualquer lobby, interesse partidário ou posição dominante na defesa de um país onde não se eternize esta diferença entre ricos e pobres.

A minha geração sonha com um Portugal com uma maior igualdade entre homens e mulheres. Se é manifesta a atual diferença de oportunidades, e consequentemente de rendimentos, entre homens e mulheres, a JSD tem de ter o arrojo de se impor como principal promotora e defensora da absoluta igualdade de tratamento entre pessoas, independentemente do seu sexo

Não pode haver disciplina de voto ou lógica partidária que imponha um discurso vazio ou encomendado, nem um qualquer voto a favor de medidas que contrariem o sonho da sua geração.

Não pode haver jovem licenciado sufocado pelo corporativismo de uma qualquer Ordem Profissional, que de forma injusta e desregulada lhe limita o acesso à profissão, que não encontre na JSD principal porta voz para o seu problema.

Não pode haver jovem à procura de emprego, discriminado pelo seu sexo, local de nascimento, orientação sexual ou qualquer outro motivo, que não encontre na JSD principal porta voz para o seu problema.

Não pode haver jovem em busca de casa, encurralado por uma inflação selvagem e desregulada em alguma cidade, que não encontre na JSD principal porta voz para o seu problema.

Não pode haver jovem abusado e desrespeitado por uma qualquer entidade patronal, que aproveite falhas no sistema laboral ou abuse da fragilidade da situação do mercado de trabalho para instaurar e manter trabalho precário, que não encontre na JSD principal porta voz para o seu problema.

Não pode haver jovem vitima de uma qualquer injustiça no sistema de ensino, de saúde ou de justiça, por causas de circunstância ou por erros crassos de escolhas políticas nacionais, que não encontre na JSD principal porta voz para o seu problema.

Não pode haver jovem castrado por qualquer monopólio inconcebível e injustificado, que não encontre na JSD principal porta voz para o seu problema.

Não pode haver jovem perseguido e prejudicado, por querer participar ativamente na sociedade que o rodeia, através da JSD ou de uma outra organização qualquer, que não encontre na JSD principal porta voz para o seu problema.

Não pode haver jovem pertencente ao Movimento Associativo e/ou Estudantil, que se sinta desamparado nas causas em que se empenhe e que sejam justas, que não encontre na JSD principal porta voz para o seu problema.

Não pode haver jovem, em qualquer lugar do mundo, oprimido por um qualquer regime ditatorial, sujeito a injustiças profundas e a atentados aos seus mais elementares direitos fundamentais e humanos, que não encontre na JSD principal porta voz nacional para o seu problema.

Não pode haver jovem português que não saiba o que é a JSD por esta não estar junto a ele nos seus medos, receios e pretensões. Com coragem e irreverência, a JSD tem de sair à rua e estar sempre presente a liderar a destruição de obstáculos e a afirmar a construção de sonhos e ambições.

Certo de que ninguém tem o direito de formatar a JSD. Consciente de que a JSD será sempre o que os seus militantes dela fizerem. Esta é a JSD com que anseio para os próximos 43 anos.

Se têm este ou qualquer outro sonho para a vossa JSD, deixo-vos o desafio de quem está quase de partida: Libertem-se. Imponham-se. Concretizem-no.

Não deixem que vos decretem futuros sem alternativa, realidades pré-definidas ou pensamentos incontrariáveis. De nada valerá o tempo que passam na JSD se não o utilizarem com total liberdade e genuinidade na luta por aquilo em que verdadeiramente acreditam.

Um abraço,

José Miguel Ramos Ferreira

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