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A Política e o Carácter de um Político

Hoje, assiste-se a um período categoricamente marcado por uma acentuada descredibilização política, por parte daqueles que têm em mãos uma missão primordial: servir o povo. A política é uma arte. Mas não é uma arte qualquer, antes pelo contrário; é uma arte que nem todos sabem ser “mestres”, pois nem todos reúnem as condições necessárias para conseguir algo que na política é fundamental: a confiança do povo.

A política tem como substracto o povo, na medida em que é a partir do povo que nascem os seus actores, i. é, os políticos e, é através do povo que os políticos são democraticamente eleitos para gerirem os seus destinos.  Portanto, podemos afirmar que a política reside apenas e só no povo. Contudo, nem todos os políticos praticam o “politicamente correcto”, o mesmo será dizer que nem todos os políticos são autênticos políticos, pois não actuam em conformidade com os verdadeiros padrões da boa política.

Para se fazer boa política é essencial ter bons políticos. Bom político é aquele que se mantém íntegro, idóneo e fiel às suas funções e responsabilidades para as quais fora chamado – satisfazer os interesses da colectividade; é aquele que não pratica demagogia; é aquele que reúne esforços e estreita laços em prol do bem comum; é aquele que pretende encontrar consensualidade nas matérias mais fracturantes; é aquele que não se deixa corromper; é aquele que após o término das suas funções não tem contas a prestar ao povo. Um bom político, em suma, é aquele que tem sentido ético e, nessa medida é digno para assumir as funções que lhe foram confiadas.

Ora, na realidade actual tudo isto não passa duma utopia. A classe política está completamente fragilizada. A demagogia e o fazer “política barata” marcam o espectro político actual. Vários são os políticos que fazem uso de palavras e argumentos desproporcionais e irracionais para aliciar o eleitorado através de promessas muitas delas falaciosas, mas que, infelizmente, parecem ter provimento nos momentos cruciais da política. São muitos os políticos que, hoje, são chamados a dar contas à Justiça – e ainda bem que assim é – pelo facto de, alegadamente, estarem envolvidos num dos crimes que mais tipifica e “dignifica” a classe política actual: a corrupção.

O carácter de um político é o segredo para se fazer boa política. A ausência de carácter consubstancia os erros graves que prejudicam em larga escala toda a colectividade, os quais só podem ser colmatados com a actuação e intervenção de políticos honestos, coerentes e dispostos a zelar pela causa pública.

Termino com uma citação de Marcelo Rebelo de Sousa, que ilustra bem aquilo que se pretende de um político – o carácter: “ a maior virtude que um bom político deve ter é o carácter. É o fundamental. Mais que coragem, mais que tudo o resto deve ter carácter.”

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