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Andamos por aí, na luta!

No passado dia 1 de Março, a Secretaria Geral da Administração Interna-Administração Eleitoral (SGAI-AE), publicou no Diário da República o número de eleitores nacionais, inscritos no recenseamento eleitoral.

Logo à partida constatamos que num ano (de 31 de Dezembro de 2015 a 2016) Portugal perdeu 51 578 eleitores nacionais. Indo mais a fundo da questão, o Distrito de Castelo Branco perdeu num ano cerca de 3 598 eleitores nacionais. Certamente que destes perto de 3 600 eleitores nem todos morreram e nem todos migraram interna ou externamente.

Os grandes problemas que o Distrito atravessa passam sobretudo pelo défice de reposição geracional, as poucas ofertas de emprego, as médias dos salários praticados, o estado das infraestruturas e dos serviços à disposição da população, a redução da atividade económica, o poder de compra ou a competitividade. Todas estas situações facilitam a perda de capital humano e dão continuidade a um Distrito que tem vindo a perder população de ano para ano.

Pegando na questão da sustentabilidade geracional, sabemos que a mesma só é garantida com Índices de fertilidade superiores a 2.1. Após analisar o Programa Nacional para a Coesão Territorial, constata-se que 3 Concelhos do Distrito têm os piores índices geracionais, numa escala de 0.4 a 0.8, são eles: Oleiros, Penamacor e Proença-a-Nova. Mais, na investigação “A demografia do interior do país: 2011-2040” (elaborado pela Unidade de Missão para a valorização do Interior – UMVI), sabe-se que o diagnóstico elaborado, estima que em 30 anos Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor e Vila Velha de Ródão irão sofrer perdas superiores a 40 % da população se nada for feito.

O cenário do distrito é negro e é aí que se pretende chegar, de forma a alertar uma população e os vários agentes políticos para tal. É urgente que se comece a pintar um novo mapa, um mapa de um Portugal menos irregular menos assimétrico, menos desigual. Mais justo! Quase 30 anos de fundos comunitários para esbater a perda de população no interior e a verdade é que a mesma tende a acentuar-se. Era capaz de propor uma maior cooperação entre os vários Concelhos do Distrito, de forma a desenvolver e a tornar mais competitivo o mesmo, mas será que seria possível que os agentes políticos colocassem as cores partidárias de lado em prol de uma região? Questiono-me, mas lanço o desafio.

Em suma somos um país com duas caras: Interior e litoral. Muitos desistem e vão-se embora à procura de melhores condições e mais oportunidades. Outros ficam e sujeitam-se à austeridade de oportunidades a todos os níveis que o interior lhes oferece. E outros como nós JSD, não desistimos de uma terra que também é nossa e que tem potencialidades como todas as outras. Não desistimos das nossas gentes, da nossa história, dos nossos valores. Não abandonamos um distrito que merece ser ouvido, que merece ser defendido nas mais variadas matérias.

A verdade é que andamos por aí, na luta!

 

 

 

 

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