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Que Grande 31!

– “Bom dia Alzira, então sabes alguma coisa da Céu?”

– “Oh Alzira, então a Céu já foi para o Hospital?”

– “Bom dia Alzira, já sabes se a Céu teve a criança?”

Não sei se foram estas, ou outras perguntas que levaram a Alzira (ou Ti Alzira) a demorar-se no caminho com o cesto de batatas à cabeça, que tinham como destino serem semeadas, nesta altura que já cheira a primavera e que as terras começam a ser preparadas para as sementeiras. Sei apenas, porque me contaram ano após ano que, chegada ao seu destino, a Ti Alzira deitou o cesto com as batatas para o chão, partindo os “olhos” das mesmas levando a que a sua cultura corresse o risco de não ser bem sucedida.

Ano após ano, neste dia, sempre que me dizem que faço anos, eu lembro-me com um sorriso, que faz hoje anos que a Ti Alzira partiu os “olhos” às batatas, pois atrasou-se na sua caminhada devido às perguntas das vizinhas, sobre a minha mãe. E também é ano após ano, que recordo este episódio com a Ti Alzira, sempre com uma gargalhada. São episódios que nunca se esquecem.

A Ti Alzira, é uma vizinha que sempre vi como uma terceira avó. Lembro-me bem, quando ela ainda era jovem e cheia de saúde e vitalidade, tinha cabras (aliás, como quase todas as pessoas na aldeiam tinham, exceto os meus pais) e que quando vinha da escola tinha um queijo fresco para me dar ou melhor ainda, uma caneca de borreguitas – como eu gosto de borreguitas, ainda hoje!

Sempre fui muito acarinhado pela Ti Alzira, assim como por todas as outras pessoas da aldeia, talvez devido à virtude de ter sido a última criança nascida e criada na aldeia. Foram essas pessoas que fizeram de mim, aquilo que sou hoje e, talvez por isso, faço questão de voltar, semana após semana, às origens, pois importa nunca esquecermos de onde vimos, para nunca perdermos o sentido para onde queremos ir.

Decidi partilhar estas memórias, pessoais, hoje, porque além de fazer 31 anos (E que grande 31!) é também o último artigo que escrevo enquanto dirigente da JSD. Têm sido 2 anos intensos, de trabalho, de alegrias e frustrações, de novas experiências e de novas amizades. Foram dois anos, nem sempre fáceis, mas sem dúvida que gratificantes. Foram dois anos, em que me dediquei, de forma abnegada, em prol da mina região, do meu distrito e do meu país. Em prol dos jovens e menos jovens, da minha gente e do meu povo. Saio da vida política da JSD com a consciência tranquila, mas com a sensação de que ficou tanto por fazer. O que me consola e me deixa esperançado, é que hoje, a JSD Distrital Castelo Branco está melhor preparada, com as suas bases fundações sólidas, com jovens militantes capazes de continuar o bom trabalho que foi desenvolvido ao longo deste mandato e de colmatar as falhas que existem, porque afinal não somos perfeitos.

Aqueles que me acompanharam ao longo destes dois anos, agradeço profundamente tudo aquilo que me ensinaram e todas as experiências partilhadas. Daqui a 31 anos estarei certamente a recordar, com carinho, à semelhança do que faço com as recordações da Ti Alzira, os momentos passados em conjunto, as viagens que fiz pelo Distrito, as aventuras e tudo o resto que não se possa traduzir em palavras.

Eu, andarei por aí, como dizia o outro. Mas não à espera de qualquer onda para a cavalgar, mas sim a criar ondas, até porque num mar calmo, o barco não avança.

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