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Almaraz e o Ministério do Tempo

No início deste ano, estreou na RTP uma nova série (portuguesa, por sinal!). Há muito tempo que não via tanta qualidade naquela que é a estação pública de televisão.  É a minha hora de tirar o chapéu ao canal que menos assisto, na verdade.

 

O “Ministério do Tempo” – assim se chama a dita série que me anda a distrair nas noites de segunda-feira – conta a história de três personagens repescadas das suas respectivas épocas: temos então um cavaleiro medieval, a primeira mulher a estudar na Universidade de Coimbra e um jovem nosso contemporâneo.

 

Estas três personagens tudo fazem para evitar que a História de Portugal seja, de alguma forma, afectada por viajantes do tempo mal-intencionados. E a missão deles deve também ser a nossa.

 

Isso é impossível – pensarão vocês – o Ministério do Tempo não existe e não há por aí portas com acesso a tempos ancestrais. Com muita naturalidade, poderão constatar o contrário: o Ministério do Tempo somos todos nós; curiosamente, somos também as portas para tempos passados e, inclusivamente, podemos ser também os rufias da História.

 

A História de Portugal corre-nos nas veias e passa por nós em cada rua, em cada transeunte e sempre que falamos a nossa língua materna. Mais: somos o repositório de todas as lutas, derrotas e vitórias dos nossos antepassados.

 

Cumpre-nos, portanto, honrar as memórias que transportamos, não só celebrando as datas-chave da nacionalidade, mas também garantindo que as próximas gerações terão algo para se honrar quando, daqui a 25, 50 ou 100 anos, observarem os nossos tempos.

Estar na política ou, de alguma forma, participar ativamente na vida pública significa, assim, ser Guardião do nosso Ministério do Tempo. Lutar contra os rufias que atacam constantemente a dignidade de Portugal e dos Portugueses, também. E cada um de nós, à sua maneira, pode e deve fazê-lo. Afinal, Portugal é dos Portugueses e, ao contrário do que muitas mentes pouco brilhantes possam pensar, não vivemos numa oligarquia: o exercício saudável da democracia assim o exige.

Tudo isto para vos dizer que a triste novela de Almaraz me relembra episódios que devemos ter bem presentes quando pensamos na nossa herança, como a Batalha de Aljubarrota, a Dinastia dos Filipes e o Estado Novo. Ali estávamos nós, prostrados aos interesses alheios e com a nossa dignidade pela hora da morte. Aqui estamos nós, com uma bomba-relógio nuclear à beira da fronteira, à beira do Tejo e com a nossa segurança ameaçada.

Resta-me deixar-vos um desafio, um apelo: lutem por Portugal. Lutem pelo Tejo! Lutem pela nossa vida! Sejam, também vós, guardiões do nosso País!

 

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