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Quem vê caras, não vê corações

No sistema eleitoral português só existe um ato eleitoral em que os portugueses elegem realmente aquele que dá a cara na campanha, as Presidenciais. Nas eleições legislativas, como já tive oportunidade de escalpelizar anteriormente aqui, os eleitores votam numa lista de deputados nos seus círculos eleitorais e que posteriormente suportam um programa de governo e um executivo para o implementar. Nas eleições europeias, elege-se uma lista de representantes nacionais para representar os interesses dos portugueses e de Portugal no Parlamento Europeu.

 

E depois temos as eleições autárquicas, que é um misto entre presidenciais e legislativas. Ou seja, elegemos aquele que dá a cara nas campanhas, mas também um conjunto de membros que irão compor o Executivo e a Assembleia Municipal.

 

As eleições autárquicas, são aquelas onde a orientação partidária menos se impõem, pela proximidade que existe entre eleitores e candidatos. É comum ouvir, na altura de eleições locais, as pessoas dizerem que votam pelo candidato e não pelo partido. Daí podermos comparar a eleição dos órgãos de poder local a um relacionamento entre duas pessoas e consequentemente, aplicar o título deste artigo.

 

Este provérbio popular alerta-nos para que, num relacionamento, quem apenas olha para o exterior da pessoa, facilmente se esquece de olhar para a sua essência, para o seu verdadeiro ser, aumentando assim o risco de fracasso desse relacionamento.

 

E o mesmo se passa nos atos eleitorais, principalmente nas eleições autárquicas. Ou seja, se só olharmos para o candidato e/ou para os elementos que compõem a candidatura e não olharmos para a sua verdadeira essência, corremos o risco de votar de forma a que no futuro fiquemos dececionados com o relacionamento assumido.

 

E o que é o coração de uma candidatura autárquica? É o seu programa eleitoral. Programa esse que não pode nem deve ser só um conjunto de medidas avulsas daquilo que se propõem fazer durante os quatro anos que poderá durar o relacionamento. Mas deverá contemplar uma visão de longo prazo, tal como projetamos num relacionamento, que por norma se quer duradouro.

 

Um programa eleitoral deverá centrar-se em metas e objetivos que o candidato e a sua equipa se propõem a atingir, deverá refletir aquilo que é a sua visão para o futuro da comunidade que pretende liderar. Isto porque as medidas para atingir os objetivos podem mudar ao longo do tempo, com o surgimento de novas ideias ou de outras medidas que não pensadas na altura, mas os objetivos, esses manter-se-ão.

 

E são os objetivos em comum, que permitem que um relacionamento entre duas pessoas seja duradouro, pois estarão ambas a remar para o mesmo lado. No relacionamento entre os eleitores e os eleitos passa-se o mesmo, enquanto os objetivos de ambos forem coincidentes, o relacionamento perdurará no tempo

 

Uma última nota relacionada com o dia de hoje, quando se celebra o Dia de São Valentim, ou o Dia dos Namorados como é mais conhecido sendo, talvez, a segunda época de maior consumismo, logo a seguir ao Natal. É neste dia, que namorados extremosos, oferecem às suas amadas prendas com corações e juras de amor eterno.

 

Confesso que é com alguma curiosidade que gostaria de saber o que é que o namorado António Costa irá oferecer neste dia à sua amada Catarina Martins. Será a já anunciada integração dos precários no funcionalismo público, sem olhar às reais necessidades do Estado? Brevemente saberemos. Mas e o que oferecerá o namorado António Costa ao seu amante Jerónimo de Sousa? Sim amante, porque é uma relação mais escondida, pois a sua família olha com desconfiança estas relações modernas. Certamente terá que ser um presente mais discreto, pois caso contrário seria um assumir público da relação, algo que não agradaria, certamente, à cônjuge do amante, Heloísa Apolónia, que além de não ter direito a presente, tem que se contentar com uma posição de observadora passiva.

Mas será que ainda haverá lugar a outro presente? Parece-me que o Cupido Rebelo de Sousa deveria ter direito a um presente também. Talvez um arco novo para continuar a disparatar setas de amor, que permita a continuidade desta relação trigâmica.

 

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