Blog

Esta terra precisa de jovens resistentes, como rochas.

Não foi ninguém da oposição, mas sim o Instituto Nacional de Estatística que veio esta semana evidenciar que, pela primeira vez nos últimos dez anos, a taxa de abandono escolar precoce subiu.

Os dados do INE mostram que, em 2016, a percentagem de jovens entre os 18 e os 24 anos que não terminaram o ensino secundário e não estavam em qualquer ação de formação, foi de 14%, ou seja, mais 0,3 pontos percentuais do que em 2015.

 

Estando a percentagem de abandono escolar precoce nos 38,5% há 10 anos, apesar do país ter estado numa situação de resgate financeiro e subordinado a fortes políticas de austeridade, impostas pelos credores internacionais que nos auxiliaram a sair de uma situação de pré-banca rota, entre 2012 e 2015 o abandono escolar precoce foi reduzido em 6,8 pontos, o que só pode ser considerado como absolutamente notável.

 

Acontece que, de acordo com as metas estabelecidas para 2020, este valor deveria continuar a baixar até atingir os 10%.

 

Ora, acabou por suceder precisamente o inverso no primeiro ano de tutela do ministro socialista Tiago Brandão Rodrigues, o que só pode ser resultado das políticas de desinvestimento no ensino profissional e das alterações que este governo fez nas reformas educativas.

Perdeu-se qualidade no ensino e os “resultados” começam a ser tangíveis, para já, aumentou o abandono escolar precoce.

 

E o que dizer quanto às perspetivas de emprego para os jovens?

Pois bem, as exportações portuguesas de bens avançaram apenas 0,9% na totalidade de 2016, valor inferior ao crescimento registado pelas importações no mesmo período, que foi de 1,2%.

Ora, se pagamos mais do que recebemos, o país fica obviamente mais pobre, portanto, com menos recursos para criar emprego e pagar ordenados, sendo que esta é a variação anual mais baixa desde 2009, o ano da grande crise financeira internacional.

Tirando esse ano de colapso comercial global, em que as exportações portuguesas recuaram 18,4%, é preciso recuar mais de dez anos, até 2005, para encontrar um ano tão negativo para as nossas exportações.

 

No conjunto do ano de 2016 as exportações de bens aumentaram 0,9% em relação ao ano anterior, o que representa uma desaceleração face ao acréscimo de 3,7% verificado em 2015. As importações de bens cresceram 1,2% em 2016, correspondendo igualmente a uma desaceleração, embora menor, relativamente ao crescimento de 2015 (2,2%)”, disse o INE.

 

A evolução destes dois indicadores resulta num agravamento do défice da balança comercial de bens, que aumentou 281 milhões de euros face a 2015.

Ou seja, podemos não o sentir mas estamos mais pobres, o que quer dizer que há menos dinheiro para criar emprego, menos dinheiro para fazer políticas sociais.

 

Será por isso que o segundo semestre está a arrancar e esta semana ainda havia 13.604 estudantes à espera de saber se terão bolsa este ano letivo?

Dados da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), mostram que a 2 de fevereiro aguardavam por uma decisão final quase 8.000 alunos de instituições de Ensino Superior públicas (9,6% das candidaturas) e 5.623 de privadas (50,9% dos requerimentos), com consequências dramáticas para muitos jovens e suas famílias, pois isto significa a privação, aos jovens das famílias mais carenciadas, dos apoios públicos essenciais à concretização dos seus estudos, o que é absolutamente inaceitável para todos os que defendam, nas ações e não só nas palavras, um sistema público de ensino.

 

Com a “geringonça” esta terra precisa mesmo de jovens “como o granito”, rijos. Felizmente, eles (vocês) têm a têmpera.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *