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Portugal, onde ser de Direita deveria ser crime

Há, por entre algum deste povo à beira-mar plantado, a dificuldade de encarar novas perspetivas e contrariar aquilo que é passado de geração em geração. Sempre advoguei a aprendizagem e uso da História como ferramentas essenciais tanto para o entendimento dos nossos costumes, como para evitar cometer erros do passado, já que é com eles que devemos aprender. Como praticamente tudo na vida da Humanidade, olhar para o passado é um faca de dois gumes. O que fazer quando vemos gerações atrás de gerações a serem manipuladas com deturpações da realidade e dos factos? O maior inimigo da sociedade é a falsidade tornada dogma, por uma maioria que argumenta por conveniência ideológica.

 

O azedume com que se olha para a Direita em Portugal começou durante o Estado Novo e agravou-se no pós-25 de Abril. Com um trabalho político magnífico de Mário Soares e Álvaro Cunhal, depressa os intelectuais de direita foram pegados à Ditadura de Salazar e desse rótulo não conseguiram sair até agora, contribuindo muito para isso a forma como a esquerda tem vindo a trabalhar. Nas palavras de Jaime Nogueira Pinto, “a esquerda veio a seguir e fez o que as esquerdas sempre fazem: proibiu a direita”. O problema é que não só a proibiu, como a ridicularizou e despertou o medo na população, fazendo-a apontar armas aos fascistas, oligarcas e bichos-papões de Direita, que só defendem os interesses das classes mais privilegiadas, quase como se a meritocracia fosse o nosso anticristo. A falácia de Soares e Cunhal foi eficaz e passou dos nossos avós para os nossos pais e, agora, para nós. Falácia porquê? Porque é contada uma estória baseada numa dualidade de critérios que deve causar aversão ao cidadão mais atento. Por um lado, exaltam-se os ânimos na esquerda portuguesa sempre que se argumenta contra o comunismo, com as premissas de que nunca algum regime comunista existiu sem tender para a ditadura. Depressa se demarcam dizendo que não devemos tomar a parte pelo todo. Estamos todos de acordo! Mas, por outro lado, eis que se tortura e massacra a Direita, de há várias décadas para cá, pela existência na nossa História de um regime ditatorial que, POR ACASO, era de Direita. Em que pé ficamos?

 

Apesar do passar dos anos, o problema não só persiste como se agrava. Os novos atores políticos da esquerda, sobretudo desde a tomada de posse deste XXI Governo Constitucional, vão-se deliciando e disparando tontices, auxiliando-se de uma comunicação social largamente tendenciosa, com o objetivo de rotular a Direita como uma força política inimiga dos portugueses. Isabel Moreira dizia-nos, num miserável artigo de opinião no Expresso: “Se achas mesmo que a liberdade de expressão não deve ter limites e que não devemos ceder à autocontenção do discurso, és de direita, sabias?”. É mais assustador do que parece. A destacada voz do Partido Socialista, a maior força política à esquerda em Portugal, consegue usar a Liberdade, transversal a qualquer ideologia democrática, para atacar a Direita.

 

Quem me dera poder dizer que tudo isto é um processo que leva o seu tempo e que, daqui a uns anos, Direita e Esquerda sejam vistas como adversárias e não inimigas. No entanto, basta ligar o nosso computador, entrar nas redes sociais e chocar-nos com as discussões e debates das novas gerações, onde a Direita económica ou o conservadorismo dos costumes são ideologias olhadas com desprezo e ódio.

 

As liberdades de expressão e pensamento há muito que se tornaram num exclusivo da Esquerda, a mesma que ainda acha que ser de Direita em Portugal deveria ser crime.

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