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Uma noite de domingo a discutir o Ensino Superior

No passado dia 18 de Dezembro decorreu, na Sertã, a quinta sessão da iniciativa “Encontros com o Futuro”, dinamizada pela Comissão Política Nacional da Juventude Social Democrata e que visa debater temáticas relacionadas com a Coesão Territorial.

 

O evento contou com dois oradores convidados: Nuno Mangas, Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), e Daniel Freitas, ex-Presidente da Federação Académica do Porto (FAP). A sessão de abertura esteve a cargo de Daniel Luís, Presidente da JSD Sertã; Hugo Lopes e Tiago Carrão, Presidentes da Distritais de Castelo Branco e Santarém; e Cristóvão Simão Ribeiro, Presidente da Juventude Social Democrata. A moderação coube a Luís Rebelo, 1.º Vogal da CPN, ex-Diretor do Gabinete de Estudos Nacional e ex-Presidente da FAP.

 

O tema em debate centrava-se na reorganização da rede de Ensino Superior em Portugal. As intervenções iniciais colocaram em evidência duas posições distintas. Nuno Mangas defendeu que o número de Instituições de Ensino Superior (IES) não deve ser um assunto em discussão. O número de IES e a sua dispersão territorial são um dos grandes factores de desenvolvimento das zonas territoriais em que estas instituições se encontram, refere o Presidente do CCISP.

 

A repetição de oferta formativa entre instituições de Ensino Superior de proximidade geográfica (tal como é o caso da Universidade da Beira Interior, Instituto Politécnico de Castelo Branco e o Instituto Politécnico da Guarda) é também um tema que o atual Presidente do Instituto Politécnico de Leiria defende não merecer combate. Na opinião de Nuno Mangas, a oferta formativa de cada instituição adapta-se às necessidades de cada região e dos seus habitantes. A grande proposta trazida ao debate por Nuno Mangas tratou-se da possibilidade dos Institutos Politécnicos passarem a conferir o grau de Doutor. Na opinião do orador, esta mudança não acarretaria custos adicionais para o país e para as instituições proponentes, conduzindo a uma mudança na designação dos Institutos Politécnicos para Universidades Politécnicas ou de Ciências Aplicadas. A oferta de programas doutorais por parte dos Politécnicos seria, segundo Nuno Mangas, uma forma de combater a falta de contratação de doutorados por parte do tecido empresarial.

 

Daniel Freitas começou a sua intervenção enunciando alguns números que caracterizam a atualidade da rede de Ensino Superior no nosso país. Existem, neste momento, 110 IES em Portugal, 34 das quais de carácter público. O dirigente associativo usou esta informação para fazer uma comparação com Espanha, referindo que o rácio de IES por habitante no nosso país é de facto muito superior ao do país vizinho. Daniel Freitas defende, assim, uma reorganização da rede de Ensino Superior com base em fusões de diferentes instituições. Para o ex-Presidente da FAP não há Ensino Superior a mais em Portugal; o que há, sim são, IES a mais no nosso país. Como argumento a favor desta medida, foram apontados os casos de sucesso das antigas escolas de enfermagem pelos institutos politécnicos geograficamente mais próximos, ou, ainda, o exemplo da fusão das Universidades Clássica e Técnica de Lisboa, que originou a maior Instituição universitária em Portugal, com cerca de 47000 estudantes.

 

Além das fusões inter-institucionais, Daniel Freitas defendeu ainda fusões intra-institucionais, dando como exemplo o caso da Universidade do Porto, composta atualmente por 14 faculdades, das quais 5 se debruçam sobre Ciências da Saúde e, mais preocupante, 2 são faculdades de Medicina. Daniel Freitas terminou a sua intervenção referindo que o Ensino Superior é uma das áreas da nossa sociedade que mais resistência à mudança tem demonstrado. O dirigente associativo apelidou mesmo o debate da reorganização da rede como “um problema de quintais”, já que todos os dirigentes das IES concordam que é necessário repensar a rede, mas nenhum aceita uma reorganização da sua instituição.

 

Após as intervenções iniciais, seguiu-se o debate com o público presente, na sua maioria jovem, que conferiu ao debate um carácter mais irreverente e interventivo. Uma das grandes conclusões foi que o problema da reorganização da rede de ensino só entrou na ordem do dia quando a crise económica e financeira colocou a nu a questão do excesso de IES no nosso país. Este facto veio confirmar uma atitude tão portuguesa de apenas se lembrar dos problemas quando estes realmente se manifestam.

 

O evento terminou cerca da meia-noite, tendo sido considerado pela organização como um verdadeiro sucesso, reforçando o sentimento empenhado que os jovens da beira-baixa demonstram em relação aos problemas sérios de Portugal.

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