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À Direita, a história é outra…

O relógio não pára e estamos a sensivelmente um ano de distância entre o presente momento e as eleições autárquicas, entretanto já muito se escreveu sobre o que das próximas eleições se pode retirar. Com mais ou menos leitura nacional, o que é certo é que ainda com muito para se discutir sobre outras tantas matérias já há muito andamos com o tema das autárquicas em cima da mesa. Para muitos, a grande prioridade resume-se ao jogo de bastidores (que o já deixou de ser há muito tempo) para a indicação do candidato que aparenta recolher mais ou menos apoio. Ainda antes de a discussão da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos ter entrado no goto do debate político já o tema circundava a mente de muitos, um número demasiado elevado para aquilo que seria expectável. Chegamos ao debate do orçamento e o tema continuava a pairar, uma espécie de “gosma” que remoía e remoía, e voltava a remoer.

Chegamos agora à parte interesse e útil deste pequeno conjunto de notas. Atente-se na particularidade de que o tema das autárquicas resultou em maior desgaste para o PSD. Uma permissa fácil de enunciar depois de uma fria análise dos factos, uma análise que parte em primeira linha do que foi o debate do tema “autárquicas 2016” nos vários partidos. No PS? Muito pouco ruido, a escolha dos candidatos está a ser preparada sem notável interferência, cautelosa e cuidadosa. Facto que não impede que já se saibam quais serão os candidatos socialistas em algumas câmaras. No Bloco de Esquerda e no PCP a situação é muito similar, não havendo assinalável fumo e atrapalhamento e “bitaites” à volta. À Direita, a história foi um pouco diferente, houve desde o ínicio uma pressão para que se fizesses uma leitura nacional do resultado dos vários plebiscitos locais, uma situação mais danosa para o PSD do que para o CDS.

A pressão intensifica-se e revela-se mais evidente quando o PSD passa de partido do governo para partido líder da oposição. Facto que de imediato liberta a critica interna, renovando o seu efeito corrosivo na liderança de Passos Coelho. O 36º congresso do PSD abriu portas à percepção de que dentro de algum tempo a liderança estaria a ser disputada. Para os críticos da actual direção, o problema está na forma como a oposição está a ser conduzida pelo PSD, vista por alguns como cinzenta e presa nas intermitências do passado. Algo que não coincide com a possibilidade de considerarmos a oposição liderada por Passos Coelho como a bancada da oposição mais coerente de sempre no registo de oposições da Democracia Portuguesa. Tão simples quanto a compreensão de que aquilo que se defende em situação de governo também deve ser defendido em situação de oposição. Não se pode ir para a um contexto de oposição e encetar um discurso diferente daquele que se andou a apregoar durante 4 anos.

Naturalmente, a actual direcção e o partido na generalidade deve ser capaz de conciliar as diferentes vontades que estruturam o combate exigido a uma oposição. Devemos, nós enquanto PSD, fazermo-nos constituir uma real e credível alternativa aos partidos à nossa esquerda. Se os partidos que suportam o Governo (PS, BE e PCP) se fazem existir por via de um discurso ambíguo no que ao fim da austeridade diz respeito, numa estratégia de devolução acelerada de rendimentos e outra regalias estatais, na repercussão de uma narrativa distante da realidade, e ignorando para tal os vários indicadores negativos tal como o abrandamento da economia e a taxa de crescimento irrisória. A alternativa a isto deve sempre estar alicerçada naquilo que foram os contributos e  reformas levadas a cabo pelo governo de Passos Coelho, receita que agora é relembrada na oposição. Evidentemente, a estratégia de oposição não se limita apenas à construção e enunciação da alternativa, isto é, importa também fazer o papel de crítico construtivo, apontado e demonstrando as falhas da acção do governo, algo que é feito sempre numa linha comparativa entre aquilo que foi o que se fez no passado e o que é feito agora. Há uns tempos atrás, Maria Luís Albuquerque lembrava que caso fosse Ministra o episódio das sanções não se colocaria, pois teria outra condução de igual modo encontrámos Passos Coelho a lembrar que foi o único PM até ao momento a colocar dinheiro na CGD. Mas nada disto é importante. Pois há, no entanto, erros a apontar mas que não se resolverão com a insistência em derrubar a liderança vigente, muito pelo contrário. A insistência em não apresentar medidas alternativas para o orçamento de 2016 não foi a forma mais inteligente de dar o pontapé de saída para a nova vida à frente da oposição. Mais recentemente tivemos a notável e muito criticada ausência de Passos Coelho nas cerimónias de comemoração da restauração da Independência, como é fácil de assimilar, a desculpa de que o convite consistia numa provocação e que em protesto se faria notar a ausência da liderança social-democrata concentra em si um  certo ridículo que evidencia desgaste comprometendo a necessidade de se auto-elevar. Assunção Cristas esteve presente.

Sejamos razoáveis, casos destes minam a credibilidade de uma oposição que se apresenta como uma das mais coerentes e focadas nos seus objectivos. Os tempos não estão fáceis, estar na oposição não é fácil. As autárquicas só serão perdidas se o partido for lançado para um vórtice de caos e querelas internas. Sejamos prudentes!

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